Produtor adapta uva benefuji
Com cachos menores, fruta chega inteira ao ponto-de-venda
A cor marcante, a maciez e doçura da polpa e o tamanho avantajado das uvas benefuji ganharam de imediato a simpatia dos produtores de São Miguel Arcanjo (SP), considerada a capital da uva itália. Tanto que muitos deles não hesitaram em deixar uma parte das terras para experimentar a nova variedade trazida do Japão.
O que eles não imaginavam é que, embora muito saborosa e bonita, a fruta seria um fracasso comercial. O motivo foi a quase nenhuma resistência ao transporte de longa distância. Quando chegavam aos pontos de venda, quase todas as frutas haviam se desprendido do cacho. “Isso foi há cerca de dez anos e muitos produtores ‘quebraram a cara’, porque apesar de se adaptar bem ao nosso clima, a benefuji apresentava esse problema sério. Ao menor balanço as frutas simplesmente desgrudavam do cacho”, conta o produtor Tsuneo Ariga.
Pouco a pouco todos foram eliminando os parreirais com essa variedade, mantendo apenas alguns pés para o consumo próprio ou para venda em pequena escala na propriedade. Ariga foi um dos poucos que não desistiram, passou a pesquisar e fazer experiências, com mais intensidade nos últimos três anos, em busca de melhorar a resistência da fruta.
Nas muitas pesquisas que fez, descobriu que no Japão um cacho da uva tem poucas frutas, mas de tamanho idêntico a uma ameixa nacional. “Aqui em nossas terras, a benefuji recebia os mesmos tratos destinados à itália ou à rubi, produzindo cachos com até 1,5 quilo cada. Isso acabava tirando a força da fruta, que ao menor atrito caía”, conta. Entre alteração do modo de condução, adubação e espaçamento, ele chegou à conclusão de que deveria também reduzir o tamanho do cacho.
Nas últimas três safras, além de mudar tratos e podas, foi gradativamente deixando o cacho cada vez menor, até que este ano conseguiu uma produção uniforme (cachos de 800 gramas em média). A resistência aumentou significativamente. Tanto que ele já está comercializando parte das 15 toneladas que espera colher até o fim da safra (início de fevereiro), diretamente na Ceagesp e no Mercado Municipal de São Paulo.
“Ainda não é o ideal, mas demos um grande avanço. A benefuji é delicada, exige cuidado desde a colheita, por isso a mão-de-obra feminina é mais adequada”, diz. “Para transporte a longa distância, como São Paulo, precisa de cuidados especiais, como embalagem diferenciada.”