Rebanho bovino brasileiro encolheu
Preços abaixo do custo de produção elevaram o abate de matrizes, diminuindo o plantel nacional. O rebanho brasileiro encolheu. Depois de quatro anos com os preços do boi abaixo dos custos de produção, que estimularam o descarte de matrizes, o País encerrou o ano com um plantel de 164 milhões de bovinos, número semelhante a 2004. Fato comprovado em Mato Grosso - estado com o maior número de animais do País - onde a queda foi de 2,49% no ano passado, somando 26,17 milhões de cabeças.
Diante desse quadro, analistas de mercado acreditam que o chamado "ciclo de baixa" esteja enfim na sua fase final. "Em relação ao ano passado, os preços estão melhores. Com certeza chegamos ao limite do abate de fêmeas", acredita Antenor Nogueira, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
José Vicente Ferraz, da AgraFNP, diz que as estimativas iniciais da consultoria eram que haveria crescimento no rebanho - revistas depois que a possibilidade de preços mais firmes não se concretizou no ano passado. Outras consultorias também apostam em um encolhimento do rebanho, a partir dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostra crescimento menor nos últimos anos - entre 2004 e 2005 teria sido de 1,3%. "Quando a oferta de bezerros ficar ameaçada, vai haver reversão", avalia Ferraz.
Apesar de superiores ao mesmo período do ano passado, as cotações atuais são menores que o custo. Segundo Ferraz, em São Paulo, a arroba deveria estar entre R$ 58 a R$ 60 para ser rentável - está em R$ 54.
"O fato de o boi estar estável na safra já é um sinal de recuperação. Vai ser uma safra mais firme", avalia Fabiana Tito Rosa, da Scot Consultoria. Em janeiro do ano passado - em valores deflacionados - a arroba estava em R$ 52,12.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, mesmo com atingindo o "fundo do poço" - no meio do ano passado as cotações chegaram a R$ 49 a arroba em São Paulo, o menor valor em 30 anos - no acumulado do ano o resultado foi melhor que o de 2005. De acordo com o analista Fabiana Tito Rosa, a alta chegou a 7,5% em São Paulo, portanto, acima da inflação. "Não fosse o fator confinamento - aumento expressivo do volume - as chuvas fortes que levaram à desova e o boi a termo que aumentou a previsibilidade dos frigoríficos, o mercado entraria nessa safra com uma patamar de preços mais alto que o atual", acredita.
Mato Grosso
A redução do plantel matogrossense já era esperado pelo mercado, uma vez que o abate de matrizes naquele estado cresceu quase 15%, segundo o Instituto Matogrossense de Economia Agrícola (Imea).
Para o diretor da Federação da Agricultura de Mato Grosso (Famato), Eduardo Alves Ferreira Neto, a diminuição do plantel significa redução de oferta e recuperação de preços. Ele acredita que esta mudança vá ocorrer apenas no final do ano, quando o invernista sentir a falta de bezerros e de matrizes para reposição do plantel.
Hoje, o gado comercializado no estado sai a R$ 50 a arroba.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 12)(Neila Baldi)