Banana amplia as perspectivas de exportação

22/01/2007

Banana amplia as perspectivas de exportação

 

A banana nanica começa a ser cultivada para exportação em Bom Jesus da Lapa, a cerca de 900 quilômetros de Salvador. A iniciativa é de 25 dos 98 agricultores da Cooperativa dos Produtores de Frutas de Bom Jesus da Lapa (Coofrulapa), com o apoio do Sebrae. No Projeto Formoso, perímetro irrigado da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), estão sendo cultivados 542 hectares de banana Kavendish, nome oficial da variedade de fruta. A produção já começou e 237 toneladas de bananas aguardam somente o desfecho dos procedimentos burocráticos para serem embarcadas para a Europa. Para o coordenador do departamento de exportação da Coofrulapa, Ervino Kogler, a banana será mais um item da pauta de exportação da fruticultura baiana, que teve uma receita de US$ 115,49 milhões em 2006, segundo o Promo - Centro Internacional de Negócios da Bahia. A primeira remessa de 272 toneladas de bananas não terá grande impacto financeiro: apenas cerca de US$ 45 mil. "É só o começo", considera o coordenador da cooperativa. Kogler revela que inicialmente as vendas externas estão sendo dirigidas à Albânia, na Europa, sendo que as negociações também estão avançadas com compradores da Alemanha. "Os 542 hectares que estão sendo cultivados têm potencial para 570 toneladas de bananas Kavendish por semana, quando toda a área estiver produzindo", informa. Atualmente a produção semanal ainda é de 237 toneladas. Enquanto aguardam o desembaraço da burocracia para iniciar o processo de exportação, os produtores da Coofrulapa estão comercializando a produção no mercado interno. São Paulo, Goiânia e Rio de Janeiro são os principais centros compradores. A venda interna, no entanto, não é tão compensadora ao preço de R$ 0,25 por quilo. "Por este valor, mal dar para pagar as contas", diz Kogler. O objetivo dos produtores é o mercado externo, que paga R$ 0,33 por quilo. "Aí já vale a pena", comenta. A cultura da banana Kavendish em Bom Jesus da Lapa foi planejada para venda externa. Segundo Kogler, as mudas do fruto foram importadas da Costa Rica. Ele diz que não foi fácil a logística para que elas chegassem ao Projeto Formoso. "Depois de um trajeto aéreo com escalas em Miami, São Paulo e Brasília, as mudas chegaram a Bom Jesus em veículo refrigerado", conta. O cultivo da banana, de acordo com Kogler, está sendo desenvolvido dentro de práticas ecologicamente corretas. "Usamos o mínimo de agrotóxicos nas plantações". Ele ressalta que, por exigência do mercado externo, a produção também precisa ser socialmente correta. "Todos os trabalhadores são legalizados e têm garantia de direitos trabalhistas." Numa região onde o PIB per capita é de R$ 2,8 mil, a produção de banana em Bom Jesus da Lapa, que não se restringe apenas ao cultivo para exportação, emprega 10 mil pessoas. "É grande a empregabilidade da cultura", comenta Kogler, acrescentando que a cultura da banana movimenta cerca de 700 caminhões/mês, o que representa no ano cerca de R$ 35 milhões. Ele destaca ainda que "o Sebrae tem colaborado bastante, ajudando-nos na comercialização e na divulgação da cooperativa, além de auxiliar no programa de produção integrada da banana". Para a coordenadora estadual do projeto de fruticultura do Sebrae, Célia Márcia Fernandes, a Coofrulapa é um caso de cooperativismo que deu certo em função do modelo de gestão adotado, dos critérios para receber novos cooperados e do moderno estatuto. Destaque Segundo o Sebrae, o Brasil já tem destaque mundial na produção e a Bahia, com sua grande variedade de espécies, climas e regiões de cultivo, tem um papel central neste cenário. A capacidade de competição e a qualidade alcançadas pelo segmento no estado resultaram na sua crescente inserção no mercado internacional. O valor das exportações baianas cresceu mais de oito vezes nos últimos 10 anos. Cerca de um quinto das exportações brasileiras de frutas frescas se originam da Bahia. Contribuíram para esse desempenho os investimentos em infra-estrutura de produção, com destaque para os plantios irrigados, e a atração de empreendedores de várias regiões do País e mesmo do exterior. Desde 2002, o Sebrae atua junto a grupos de produtores em sete dos principais pólos de fruticultura do estado. As regiões e espécies beneficiadas foram selecionados com base na importância estratégica para o segmento na Bahia, na relevância da produção local (existente e potencial) e também no porte dos produtores que se dedicam à atividade. Como pontos favoráveis à prática da fruticultura na Bahia, o Sebrae indica as condições climáticas, que possibilitam uma diversificação de culturas, e o crescimento da agroindústria especializada na produção de derivados para a exportação, como polpas e sucos. (José Pacheco Maia Filho - Gazeta Mercantil)