Tecnologias substituem gás tóxico no cultivo de flores
Terminou o prazo dado pelo Ministério da Agricultura para uso do brometo de metila (BM) em hortas, plantação de flores e plantas ornamentais no Brasil. Segundo a Embrapa Ambiente, cada átomo de brometo de metila que alcança a estratosfera destrói 60 vezes mais ozônio do que os átomos de cloro dos CFCs (clorofluorcarbono).
Com a proibição, o gás BM, que já foi usado em larga escala na cultura do fumo, não poderá ser utilizado na desinfestação do solo. E uma alternativa para a sua substituição foi apresentada pela própria Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ligada ao Ministério da Agricultura.
Segundo a pesquisadora Raquel Ghini, da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), são equipamentos que utilizam o vapor de água e a energia solar. Cerca de 27 caldeiras a lenha e 27 injetores de vapor no solo foram entregues a cooperativas e associações de produtores das principais regiões com cultivo de flores e consumidoras de brometo em Atibaia, Ibiúna, Holambra, em São Paulo, e Gravatá, em Pernambuco.
A pesquisadora explica que, no tratamento de substratos, os coletores solares, que utilizam energia solar, desinfetam misturas de solo em viveiros de plantas, permitindo a produção de mudas saudáveis e livres de microorganismos prejudiciais ao seu desenvolvimento.
“Altas temperaturas (cerca de 70° C a 80° C) são conseguidas com injeção de vapor no solo ou utilização de energia solar que, além de mais eficazes e baratos, não trazem riscos à saúde humana e ao meio ambiente, como no caso do BM”, garante César Mauricio Torres Martinez, um dos responsáveis pelo projeto de substituição do gás.
De acordo comMartinez, esses equipamentos, adquiridos por meio de licitações internacionais promovidas pela Unido (em português, Organização para o Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas), após análise dos termos de referência pelo governo brasileiro (Ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores), são capazes de tratar 100 m² de solo a cada 1 hora. Após dois dias, o solo está pronto para novo plantio.
A iniciativa da retirada do GM é da própria Unido e, de acordo com Raquel Ghini, começou em 2004, quando a Unido realizou estudos sobre o consumo remanescente de brometo de metila no Brasil, a partir de uma consultorai realizada pela Embrapa. Foi verificado que, após a eliminação do GM na cultura do fumo, o cultivo de flores aparece em seguida como principal usuário do BM.
PROGRAMA
– O cronograma do Programa Nacional de Eliminação do Brometo de Metila estabeleceu 31 de dezembro de 2004 para eliminação na cultura do fumo, 31 de dezembro de 2006, para flores, hortaliças e formigas e 31 de dezembro de 2015, nas culturas do abacate, abacaxi, amêndoa, amêndoa de cacau, ameixa, avelã, café, castanha, castanha-do-pará, citros, damasco, maçã, mamão, manga, marmelo, melancia, melão, morango, nectarina, nozes, pêra, pêssego e uva.
O Brasil aderiu ao Protocolo de Montreal em 1990 e, assim, se comprometeu a eliminar a utilização no País de produtos que destruam a camada de ozônio da Terra.
“A seleção de métodos alternativos de tratamento desenvolvidos na região (coletores solares no Brasil e caldeiras/injetores de vapor na Argentina) facilita a aceitação por parte dos agricultores, garante o sucesso do projeto, além de valorizar a pesquisa científica desses países”, completa Raquel Ghini.