Formas para aumentar o consumo

29/01/2007

Formas para aumentar o consumo

A produção nacional de mandioca, na safra 2005, segundo dados do IBGE, foi de 26 milhões de toneladas, com rendimento médio de 13,8 toneladas de raízes por hectare. A Bahia é o segundo maior produtor, com 16,3% do volume nacional extraído, depois do Pará, que detém 16,6% da produção. Paraná (15,8%), Maranhão (5,9%) e Rio Grande do Sul (4,9%) são os estados seguintes. Mas, de acordo com o coordenador estadual do projeto de mandiocultura do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Eduardo Benjamin Andrade, o consumo per capita de farinha no Nordeste do Brasil, que é de 7 kg, vem caindo, devido a uma série de fatores, entre os quais, destaca, estão o baixo nível tecnológico das casas de farinha e entrada de novos produtos no mercado. Na Bahia, segundo o Sebrae, cerca de 175 mil pessoas vivem da extração da mandioca.

Outras formas de uso da farinha de mandioca estão sendo buscadas para agregar valor à cultura e estimular o consumo. Entre as novidades estão farinha temperada, beiju enriquecido com hortaliças, folha de mandioca na alimentação humana e animal, caule da planta para abastecer fornos a lenha e melaço extraído da prensagem da raiz (manipueira), este para alimentação de animais.

Em dezembro do ano passado a Prefeitura de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo, começou a comprar beiju enriquecido para a merenda escolar. “Uma única associação recebe R$ 800 por mês”, destaca Eduardo, ressaltando que durante seminário sobre compras públicas realizado no mesmo município, representantes de 30 prefeituras ficaram interessados.

Também, a folha pode ser usada tanto na alimentação animal quanto do homem, diz Eduardo, explicando que a folha, depois de dessecada e triturada, pode ser consumida em forma de sachê com excelentes ganhos, pois possui 30% de proteína bruta e 15% de fibra. “Sempre é descartada ou usada como ração”, diz Eduardo, lembrando que o processo antigo de preparo da maniçoba levava até sete dias por conta da dificuldade de se eliminar o ácido cianídrico, que é tóxico. “Com a técnica usada hoje, o produto pode ser consumido em duas horas, junto com outros alimentos”, afirma. Para garantir uma melhor apresentação do produto, o Sebrae criou a Maniba (Maniçoba da Bahia), marca com embalagem própria.

A folha da mandioca pode ser tratada e transformada em pellets, que têm o formato de ração animal.

Esse material é um suplemento balanceado para bovinos e eqüinos de elite, pois assegura uma maior resistência e ganho de peso.

O caule da planta também pode ser usado como energia. Eduardo Andrade explica que em geral esse material é queimado pelos produtores. Foi desenvolvida uma técnica que tritura o caule para transformá-lo em tijolo (briquete ou pellets) e assim poder ser usado como se fosse carvão nos fornos. “É uma iniciativa que além de aumentar a renda dos produtores, ajuda a resolver um problema ambiental, pois preserva nossas florestas”, destaca.

Eduardo explica que depois de triturada, a raiz expele um líquido chamado manipueira, com alto teor de ácido cianídrico. “Foi desenvolvida uma técnica para tirar todo o líquido por evaporação e a pasta que sobra é o melaço, usado para alimentação animal”, garante.

Eduardo Andrade enfatiza ainda que está sendo incentivado o plantio de aipim (chamada de mandioca mansa, por não ser tóxica). “O aipim pode entrar no mercado em forma pré-cozida, in natura e até mesmo de palito”, destaca o consultor do projeto de mandiocultura do Sebrae, Giovane Arcanjo.