Parceria que gera o sustento de pequenos produtores
O cultivo de mandioca, para cerca de 1.800 famílias de agricultores do município de Tancredo Neves, no baixo sul do Estado, não exige muito segredo, porém ficou mais vantajoso após a criação de uma cooperativa de produtores rurais.
Antes, essas famílias cortavam oito toneladas de raiz por hectare, quantia insuficiente para a sobrevivência de todos ou obtenção ganhos com a venda, feita a intermediários; depois, passaram a ter resultados mais expressivos.
Em 2003, a Fundação Odebrecht – por meio do Programa de Desenvolvimento Integrado e Sustentável/ Baixo Sul –, o governo do Estado e a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical de Cruz das Almas firmaram convênios, que envolveram, também, a Cooperativa de Produtores Rurais do Município de Presidente Tancredo Neves (Coopatan), para a reestruturação da cadeia produtiva.
Abrindo espaço entre as roças de cacau, cravo, dendê, seringueira, palmito, piaçava, guaraná e pimentado-reino, as plantações de mandioca conquistaram lugar na Fazenda Novo Horizonte, município de Tancredo Neves. Assim, as famílias passaram a produzir, em média, 26 toneladas por hectare, em uma área de 600 hectares, chegando até a 60 toneladas por hectare, acima da média nacional, de 12 toneladas por hectare.
“O pequeno produtor ganha mais quando tem a garantia do produto vendido através da cooperativa, fugindo dos baixos preços pagos pelos intermediários”, diz Bruno Galba, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul da Bahia (Ides), da Fundação Odebrecht.
TESTES – Em um campo demonstrativo de tecnologias, instalado pela Embrapa na Fazenda Novo Horizonte, várias técnicas foram experimentadas para evitar doenças mais comuns. Foram feitos testes de adubação e de resistência à mosca-branca, ao percevejo de renda e aos ácaro, aplicado o controle de plantas daninhas, experimentado o espaçamento em cultivo solteiro ou consorciado e o manejo da produção de biomassa com 20 variedades selecionadas para os experimentos.
Uma câmara de multiplicação rápida é utilizada para que os experimentos cheguem em boa condição de plantio, evitando transtornos para o agricultor e o cooperado.
“As mudas que chegam até aqui são separadas para determinar a existência de doenças, mas até agora nenhuma foi registrada”, diz Bruno Galba.
“A parceria com a cooperativa tem contribuído para o sucesso desse trabalho, que disponibilizou técnicos para acompanhar o processo”, afirma ele, lembrando que, no início, os agricultores, sem noção das possibilidades da cultura, não escolhiam bem as matrizes, adubavam de forma errada e causavam outros desperdícios, que acabavam implicando na baixa produtividade.
“Nessas estruturas, as gemas plantadas devem ser mantidas em condições próprias de temperatura e de umidade do solo, para possibilitar até 12 cortes, e gerar mais mudas”, explica o pesquisador.
Durante o processo de geração das mudas, as gemas de aproximadamente 2 cm podem ser colhidas em 20 dias. Depois, passam para o processo de enraizamento e, de lá, são plantadas em pequenos vasilhames plásticos, com areia e esterco, preparados e entregues para o cooperado.
A partir daí, a mandioca produz raiz que pode ser comercializada, mas que terá um rendimento melhor na segunda colheita. “Há variedades que gastam menos tempo na adaptação e produzem ótima comercialização”, continua o pesquisador.