Biodiesel baiano terá controle de qualidade

30/01/2007

Biodiesel baiano terá controle de qualidade

 

O rigor da fiscalização da qualidade dos combustíveis deve recair sobre o biodiesel, hoje opcionalmente misturado em proporção de 2% no óleo diesel vendido nos postos. A meta é prevenir o mercado contra fraudes ou não-conformidade com os critérios estabelecidos pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Na Bahia, o cerco aos infratores começou a ser fechado ontem, com a assinatura de um contrato entre a ANP e a Unifacs (Universidade de Salvador). A universidade será parceira da agência na aferição da qualidade do óleo vegetal.

O início da fiscalização deve começar em 15 dias, período dedicado a montar a estrutura necessária para iniciar as operações.

Para tanto, a instituição de ensino recebeu um aparelho que aponta as irregularidades no biodiesel, o cromatógrafo – capaz de separar os componentes do biodiesel misturado ao óleo diesel, e aferir a obediência aos padrões estabelecidos pela agência. O equipamento é capaz de verificar até o local de processamento do óleo, detecção realizada por meio de marcadores químicos. De posse do cromatógrafo, os técnicos da universidade devem fazer uma operação pente fino nos postos que vendem o biodiesel no Estado.

O coordenador técnico do programa de monitoramento da qualidade dos combustíveis na Bahia, o professor da Unifacs Paulo Roberto Guimarães, explica que o pessoal engajado no controle de qualidade vai usar a mesma sistemática relacionada à fiscalização da gasolina. “Mensalmente, visitaremos 20% dos postos da Bahia, coletaremos amostras e traremos ao laboratório para análise a fim de enviar resultados para a ANP.

Diante dos resultados, a agência decide se há necessidade ou não de uma nova visita”, explica.

Nos postos onde forem registrados problemas, a ANP manda um novo fiscal. Além de fazer triagem de informações cadastrais, o profissional recolhe novas amostras, que serão novamente encaminhadas ao laboratório. “Apenas a partir das amostras coletadas pelo fiscal da ANP são tomadas as providências de fechar ou autuar o posto”, prossegue Guimarães.

SETOR ESTRATÉGICO – O diretorgeral da ANP, Haroldo Lima, afirmou, durante a solenidade de assinatura do contrato, que o setor de biocombustíveis é estratégico para “destravar” o País. Por isso, foi contemplado no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com R$ 17 bilhões, que devem ser investidos na construção de 46 usinas de biodiesel, mais 77 de etanol. As unidades serão distribuídas por todo o País. A Bahia terá novas duas usinas de biodiesel. Atualmente, o Estado conta com a IBR (Simões Filho) e BR Ecodiesel (Iraquara).

O mercado baian reagiu positivamente ao pronunciamento do presidente Lula no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.
O presidente antecipou de 2013 para 2010 a obrigatoriedade da mistura de 5% do óleo vegetal no diesel vendido nos postos. Hilton Morais Lima, diretor executivo da IBR, fábrica que processa óleo vegetal na região Simões Filho, avalia que a empresa deve acelerar a execução do projeto que prevê o plantio da oleaginosa pião-manso numa área de 40 mil hectares.

Atualmente, a IBR ainda engatinha em direção ao alvo, com uma produção experimental distribuída por apenas mil hectares da planta. O interesse em relação ao pião é justificado por uma comparação com a mamona. A produtividade do pião chega a 2,5 mil litros por hectare, ao passo que a partir da mamona se obtém apenas 600 litros por hectare. A Bahia é o maior produtor nacional de mamona, concentrando 85% da produção. A dificuldade do Estado é alavancar a produção da oleaginosa.

LUIZ SOUZA