País volta a ter exportações de frango recordes em 2007

31/01/2007

País volta a ter exportações de frango recordes em 2007

 

Novos mercados vão possibilitar ganho na receita, superando os valores de 2005. O Brasil pode voltar a ter exportações recordes de frango neste ano. Com a retomada do mercado perdido em 2006, devido à "crise da gripe aviária" e a abertura de novos mercados, o País pode embarcar 2,9 milhões de toneladas de frango, o equivalente a uma receita de US$ 3,53 bilhões. O resultado é, respectivamente, 1,8% e 0,6% superiores ao melhor desempenho do setor, ocorrido em 2005, quando as indústrias exportaram 2,84 milhões de toneladas e US$ 3,5 bilhões. Considerando 2006, a alta é de 6,8% e 10,2%.
A América do Sul e a Ásia são as apostas para 2007. O setor pretende aumentar a participação desses destinos, que hoje é de 5% e 27%, respectivamente, e acessar os Estados Unidos. A diversificação de mercado é uma forma de as indústrias diminuírem os riscos para crises, como a da gripe aviária, e de reduzir as perdas com as cotas impostas pela União Européia.
Estimativas do setor são de que a abertura de pelo menos três dos sete países previstos para 2007 vai possibilitar um acréscimo de 50 mil toneladas, ou US$ 110 milhões. "Os países asiáticos têm potencial grande", diz José Vicente Ferraz, diretor da AgraFNP. Ele acredita em um cenário promissor para este ano e para os próximos porque os Estados Unidos estão direcionando milho para a fabricação de etanol e, com isso "encarecendo a produção do cereal", o que daria um diferencial ao Brasil. "Os Estados Unidos ficam viáveis por causa do milho. Podemos preencher uma lacuna que venha a ocorrer em função da ração", diz. A abertura deste mercado, para carne processada, deve ocorrer em até 24 meses.
As projeções iniciais da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef) para 2007 não prevêem os novos compradores. Segundo a estimativa divulgada ontem, o País pode embarcar um volume de 2,85 milhões de toneladas, voltando aos níveis de 2005. De acordo com esta projeção, os preços inferiores aos praticados em 2005 deixariam a receita menor que a daquele ano: US$ 3,42 bilhões - 6,8% a mais que em 2006. "Estamos sendo conservadores. Nossas estimativas não consideram a abertura dos novos mercados", diz Ricardo Gonçalves, presidente-executivo da Abef. Mesmo sem os novos compradores, em volume os embarques serão recordes.
Entre os novos mercados, o mais promissor é a Malásia por ser referência para outros países que exigem o abate halal: Indonésia e Filipinas. "Queremos ser o principal fornecedor de carne fresca para a Malásia", diz uma fonte do setor. Juntos, os três países asiáticos consomem anualmente 2,66 milhões de toneladas de frango, mas importam apenas 67 mil toneladas. No entanto, a estratégia das indústrias do Brasil é que, com a gripe aviária, as empresas locais tenham de reformular suas posições. Aliado a isso, o Brasil teria mais competitividade em relação a estes mercado. A previsão é que os novos mercados sejam abertos a partir do segundo semestre.
Resultado de 2006
Em 2006, o Brasil comercializou com o exterior 2,7 milhões de toneladas de frango, volume 4,7% inferior ao obtido no ano anterior. A receita cambial somou US$ 3,2 bilhões, valor 8,7% inferior, na mesma comparação. Em relação às projeções feitas no final de 2006, os resultados são superiores. Naquela época, a Abef estimava um volume de 2,6 milhões, somando US$ 3 bilhões. Segundo Gonçalves, os embarques de dezembro surpreenderam. No mês passado, os embarques totalizaram 237,8 mil toneladas, o equivalente a US$ 296,4 milhões, o terceiro melhor mês do ano.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Neila Baldi)