Bubalinocultura vira para o leite

01/02/2007

Bubalinocultura vira para o leite

O crescente mercado da mozarela de leite de búfala anima os criadores e setor cresce 10% ao ano desde 2002

A bubalinocultura brasileira está mudando de perfil. O bom mercado da tradicional mozarelas de leite de búfala leva um número cada vez maior de criadores a trocar o gado de corte pelo de leite. A atividade cresce a uma taxa de 10% ao ano desde 2002, graças à expansão na produção do queijo.

Restaurantes, pizzarias e lojas de produtos de grife disputam uma produção ainda insuficiente para atender à demanda em crescimento. Para o criador, o principal atrativo é o alto valor agregado. Um quilo de mozarelas pura de leite de búfala custa entre R$ 20 e R$ 25, três vezes mais que o similar de leite de vaca. E enquanto se gastam 12 litros de leite vaca para fazer 1 quilo de queijo, o leite de búfala, com maior teor de lipídios, rende o dobro.

MIGRAÇÃO

Entre os que já criavam búfalos, há uma corrida pelas boas fêmeas leiteiras, que valem entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil a cabeça. Há dez anos, 80% das criações produziam carne. Hoje, mais da metade tem o leite como foco principal. 'Sem dúvida é o segmento que mais atrai na cadeia', disse o superintendente da Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos (ABCB), Renato Amaral.

A Fazenda Santa Eliza, em Dourado, na região central de São Paulo, tem um plantel de 600 cabeças selecionadas. Na safra, chega a ter 240 búfalas prenhas. Mesmo na entressafra, pelo menos 150 estão em lactação. 'Nossa produção média fica entre 1.100 e 1.200 litros por mês o ano inteiro', conta a proprietária Wilma Penteado Ferreira.

Para manter a produção na entressafra, foi preciso trabalhar a sazonalidade. O ciclo de parição se concentra em fevereiro e março, de forma que a produção ocorre de abril a setembro. Com a inseminação artificial em 100% do rebanho, Wilma consegue alterar o ciclo de parição e obtém bezerros o ano todo. O sêmen é adquirido de reprodutores selecionados, alguns importados.

O manejo foi desenvolvido com assistência da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). As búfalas são criadas a pasto, com reforço na alimentação dos bezerros e das fêmeas prenhas ou em lactação. Os 180 hectares de pastagem com tanzânia e mombaça são divididos em piquetes de 2 hectares para possibilitar rotação. Não há açudes ou lagos: as búfalas se refrescam nas duchas que tomam antes das duas ordenhas diárias. O sistema é mecanizado, com conjuntos de máquinas para ordenha simultânea de 16 búfalas.

A produção média é de 12 litros por dia, mas há búfalas que produzem 18 litros. Após a retirada do leite, elas recebem concentrado e torta de caroço de algodão - há cotonifícios na região. Wilma reserva 20 hectares para o plantio de cana-de-açúcar, usada na alimentação no período da entressafra.

O zootecnista José Eduardo Martins Júnior cuida da alimentação. À cana picada, é adicionada uma mistura de uréia e sulfato de amônia para melhorar a absorção do alimento. Os bezerros recebem também capim cortado da própria fazenda, principalmente no verão, quando há folga de pastagem.

(SERVIÇO)Informações: ABCB, tel. (0--11) 3673-4455; Fazenda Santa Eliza, tel. (0--16) 3345-1166