Nim tem mercado promissor

01/02/2007

Nim tem mercado promissor

Indústrias que fabricam o óleo de nim, inseticida natural, operam abaixo da capacidade; plantio da árvore ainda é restrito

Desde 1980, Roberto Antonio Malimpence cultiva nim - planta que possui grande poder inseticida, de ampla aplicação na agropecuária (Veja quadro). Tem 50 hectares cultivados na Fazendas Reunidas Ibirá, em Uchoa (SP), na Alta Araraquarense, onde, de fevereiro a maio, colhe os frutos que abastecem sua própria indústria. Também compra produção de terceiros, mas continua operando bem abaixo da capacidade, por falta de matéria-prima. 'O máximo que consegui foi esmagar 50 toneladas; este ano deve chegar a 90 toneladas, para uma capacidade de 500 toneladas', conta. 'Vamos começar a esmagar a produção de Mato Grosso e Minas Gerais, onde há grandes cultivos da planta.' Segundo ele, a área cultivada de nim tem crescido na região, onde o plantio deve ficar entre 80 hectares e 100 hectares.

Da sua lavoura, ele colhe em média 15 quilos de frutos por árvore. A moagem vai de maio a setembro e o óleo é vendido para empresas ou diretamente para adeptos da agricultura orgânica. No varejo, o óleo puro custa R$ 35/litro, em embalagens grandes; em embalagens pequenas, em torno de R$ 40/litro.

'Há um mercado de folhas, mas a gente não participa', diz, acrescentando que elas também são usadas como inseticida natural, mas a concentração da azadiractina, princípio ativo da planta, é 40 vezes menor do que nos frutos. Segundo Malimpence, o óleo é usado no combate de pragas como cochonilhas, lagartas, cigarrinhas, besouros, moscas-brancas, pulgões, entre outros. 'Produtores de tomate, soja, milho, frutas, café, hortaliças, verduras e flores estão entre os maiores beneficiados.'

A agricultura orgânica responde bem ao uso do nim. 'Além de uma produção maior, a ação residual é curta; uma parte do inseticida é absorvida pela planta e a outra, decomposta pelo solo', explica. Em hortaliças pode-se aplicar em um dia e colher no seguinte. 'É só um dia de carência, por isso é aprovado para os orgânicos.' Em lavouras convencionais, Malimpence diz que há casos em que o uso de nim é econômico. 'Produtores de algodão estão aplicando óleo de nim contra pulgão, e os de soja, para o controle da lagarta, em ambos os casos com viabilidade econômica, comparado a agrotóxicos comuns.'

OPÇÃO RENTÁVEL

Estudo realizado pelo engenheiro florestal Alexandre Muzy Bittencourt, de conclusão de mestrado pela Universidade Federal do Paraná com o título O cultivo do nim indiano, (Azadirachta indica A. Juss): Uma visão econômica, revela que a planta é uma opção rentável para o produtor pela forte demanda por frutos, de onde é extraído o óleo.

No entanto, Bittencourt faz algumas restrições quanto à instalação de novos cultivos, principalmente por causa da pulverização das indústrias. Também considera importante fazer parcerias e contratos com empresas para garantir a compra da produção. 'Além de reduzir custos de transporte, deve-se garantir o escoamento da produção', diz ele.

'O produtor pode ainda instalar uma indústria extratora de óleo na propriedade', sugere o engenheiro. O problema, explica, é a adaptação do maquinário e a escala de produção. 'A cultura é sazonal, existe pouca produção de nim e as indústrias, bastante pulverizadas, operam, em sua maioria, com capacidade ociosa.'

O estudo de Bittencourt faz parte do Projeto Nim da Embrapa, que abrange, dentre outras regiões, o oeste da Bahia e o noroeste de São Paulo, onde a cultura está se expandindo. De acordo com o engenheiro, na Bahia o custo da terra é muito baixo, o que torna viável a expansão da cultura.

Já em São Paulo, onde a terra é mais valorizada, ele recomenda o plantio em áreas marginais, para não concorrer com culturas comerciais. 'Em contrapartida ao alto preço da terra, em São Paulo há maior facilidade de comercialização.'

Bittencourt afirma que em todos os cenários analisados a cultura mostrou-se viável, com retorno do investimento (Taxa Interna de Retorno - TIR) variando de 14% a 25% ao ano, sendo bastante superior quando comparado a investimentos financeiros como a poupança, por exemplo.