Agronegócio do sul da Bahia pode ter novas alternativas

05/02/2007

Agronegócio do sul da Bahia pode ter novas alternativas

Grupo de trabalho vai apontar outras culturas para a região, como dendê, cupuaçu, mamão, maracujá e pupunha

 

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Luís Carlos Guedes Pinto, assinou ontem portaria que cria um grupo de trabalho para identificar novas alternativas para o agronegócio no sul da Bahia.

"A idéia é explorar outras culturas na região, além do cacau", afirmou Guedes durante reunião com o secretário da Agricultura, Geraldo Simões. O texto, com a composição e regras do grupo de trabalho, deve ser publicado no Diário Oficial da União na segunda-feira.

O grupo será composto por representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), do governo da Bahia, de instituições de pesquisa, universidades, associações de produtores, bancos e iniciativa privada, entre outros.

"Juntos, temos mais condições de encontrar saídas definitivas para uma crise que se arrasta há 20 anos, provocando redução de produção e renda", disse Simões, acrescentando que é preciso identificar ações que levem à retomada da economia.

Segundo o governo da Bahia, o sul do estado apresenta potencial para exploração de outros produtos, como dendê, cupuaçu, mamão, maracujá e pupunha, embora o cacau continue sendo um dos pilares da economia estadual. O ministro solicitou que o grupo de trabalho apresente um plano de ação o mais rápido possível.

Vassoura-de-bruxa.

A região sofre queda de produção e renda desde o surgimento da vassoura-de-bruxa, que derrubou a produção baiana de cacau de 397,3 mil toneladas, em 1989, para 143,3 mil toneladas no ano-safra 2005/06 e desempregou 250 mil pessoas, de acordo com o governo da Bahia.

Aliado a esse problema, o decréscimo registrado nas cotações internacionais do cacau, a partir de 1983, a elevação dos custos em igual período e um longo período de estiagem acentuaram a crise financeira e social na região, que não foi totalmente solucionada nem mesmo com o Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira Baiana.

Guedes ressaltou que o governo federal pode auxiliar a região por meio de centros de pesquisa, como a Embrapa, da liberação de novos financiamentos, em discussão com o Ministério da Fazenda, e de obras de infra-estrutura já revistas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).