Controle de fungos em soja e algodoeiro
Um trabalho desenvolvido por pesquisadores da Embrapa Cerrados no controle de fungos em soja e no algodoeiro vai abrir perspectivas para as duas culturas.
Dentre as doenças de plantas, as fúngicas são as que causam maiores perdas agronômicas e econômicas.
No algodoeiro, as maiores perdas resultam de infecção pelos fungos causadores da ramulose (Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides) e ramulária (Ramularia areola). Na soja, pela ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), podridão branca da haste da soja (Sclerotinia sclerotiorum) e podridão vermelha da raiz ou síndrome da morte súbita da soja (Fusarium solani f. sp. glycines ou Fusarium tucumaniae).
A pesquisadoraMarilia Silva explica que, para defender-se de ataques de patógenos, as plantas produzem proteínas antimicrobianas de defesa denominadas defensinas e osmotinas.
Essas classes de proteínas antifúngicas terão suas atividades antimicrobianas testadas contra os fungos.
Os genes de defensinas e osmotinas vegetais já estão isolados e seqüenciados. Estão disponíveis oito genes de defensinas provenientes de girassol, ervilha e café e 14 genes de osmotinas da invasora maria pretinha, de jiló e café. Esses genes serão clonados e expressos em vetor de levedura. As proteínas expressas em levedura serão purificadas e usadas em bioensaios contra os fungos que provocam as doenças.
A expectativa da pesquisadora da Embrapa Cerrados é selecionar pelo menos dois genes de defensinas e dois de osmotinas testadas contra os cinco fungos. Estes genes poderão ser eventualmente usados em transgenia de algodoeiro e soja, para geração de resistência genética a essas doenças fúngicas.
Isto poderá levar a uma diminuição do uso de fungicidas químicos e conseqüentemente contribuirá para a maior sustentabilidade econômica e ambiental da produção de soja e algodão e menores riscos à saúde de trabalhadores rurais.