Grupo buscará alternativas para o sul da Bahia
O secretário de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado da Bahia, Geraldo Simões, acertou ontem, em Brasília, a criação de um grupo de trabalho (GT) que vai identificar alternativas para o agronegócio na região sul do Estado. Ele esteve reunido com o Ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, e garantiu a assinatura de uma portaria, criando o grupo de trabalho, que será publicada segunda-feira no Diário Oficial.
A idéia, além de resolver definitivamente o problema do endividamento dos produtores de cacau, é buscar alternativas para a região que poderá investir em outras culturas. E o secretário tem pressa: “vamos propor reunir esse grupo durante uma semana de trabalho intensivo, em Brasília e rapidamente apresentar as alternativas de solução”, disse o secretário baiano. Simões quer o grupo reunido, no mais tardar, depois do Car naval.
O grupo será composto por representantes do Ministério da Agricultura, governo da Bahia, instituições de pesquisa, universidades, associações de produtores, bancos e iniciativa privada, entre outros. “Até agora temos soluções paliativas, que não resolvem o problema”, diz.
Simões explica que “no passado foi liberado um dinheiro caro, junto com uma tecnologia que não foi aplicada no tempo adequado.
Venceu o prazo para pagamento e não melhorou nem a produtividade nem o preço do cacau.
Resultado, a cada seis meses o governo tem que prorrogar a dívida, porque os produtores não conseguem pagar”.
SOLUÇÕES – O secretário baiano acredita que o grupo poderá buscar soluções definitivas para o problema. “O governador Jaques Wagner já vem tratando desse assunto há algum tempo. O governo federal aceitou criar o GT para chegarmos a uma solução definitiva”.
Ele acha que, no lugar de ficar prorrogando a dívida, será possível propor um alongamento.
“Não sabemos qual prazo será, dez, doze ou vinte anos. Isso o grupo vai definir”. Mas o secretário quer mais: “com o alongamento precisamos de dinheiro novo, para incentivar e diversificar a produção”.
Entre as propostas que o secretário quer ver discutidas está a mudança no comportamento dos produtores. “Não queremos produzir como hoje, mas queremos industrializar o cacau, vender um cacau fino, cultivado na Mata Atlântica. E queremos diversificar, trabalhando com seringa, dendê, cupuaçu, mamão, pupunha, maracujá e flores. Queremos trabalhar os arranjos produtivos.
Soluções não só para o cacau, mas para a economia da região”.
Questionado sobre a criação de mais um grupo de trabalho, Simões disse acreditar em solução “exatamente porque deixamos de discutir apenas a questão do endividamento dos produtores de cacau, problema que existe e se arrasta desde os anos 30. Desta vez estamos discutindo alternativas para a economia de uma região e acreditamos que a diversificação vai ajudar a solucionar o problema”.
AFTOSA – Simões esteve com o Ministro da Agricultura acompanhado pelo Diretor Geral da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Altair Santana de Oliveira. Eles solicitaram a liberação de R$ 5,6 milhões para a campanha de combate à febre aftosa no Estado, que começa no mês de março. “Estamos livres da aftosa há anos e isso graças a investimentos no setor”, disse.
Simões e o diretor da Adab ouviram do Ministro da Agricultura que a sanidade animal é uma das questões prioritárias para o governo federal. Os recursos serão liberados logo que o Orçamento 2007 seja sancionado pelo presidente Lula. Mas Geraldo Simões insistiu para receber recursos ainda do orçamento do ano passado, o que poderia garantir aproximadamente R$ 3,5 milhões ainda este mês.