Produtores prevêem perdas de 30% na safra deste ano

05/02/2007

Produtores prevêem perdas de 30% na safra deste ano

 

Em Barra do Choça, o verde das folhagens que cobria os campos cede espaço para o branco da pelagem do gado Nelore, que aos poucos ocupa áreas onde antes reinavam os cafezais. Se a chuva não for em boa quantidade este mês, as perdas poderão chegar a 30%, com redução no tamanho dos grãos.
“Se chover, o grão ganha tamanho; se não, fica até 50% menor, como já aconteceu em safras passadas”, alerta o cafeicultor Israel Tavares Viana. A situação reflete o quadro da cafeicultura, que chega aos 35 anos de implantada envolta em uma crise sem precedentes.
No ano passado, a falta de chuvas resultou na redução de 50% no tamanho do grão. O temor se repete e nem mesmo a condição de maior produtor individual de café do Norte e Nordeste do País conseguiu reduzir os impactos negativos da lavoura, que a cada dia fica sem espaço e pode perder incentivos.
O prejuízo, segundo os cafeicultores, vieram na mesma proporção e este ano não deve ser diferente. A previsão de colheita é de 250 mil sacas – expectativa a milhas e milhas de safras históricas, com a de 600 mil sacas há cinco anos.
“Esperamos pelo menos ter qualidade, porque choveu regularmente nos últimos meses, mas a chuva de fevereiro é que determina a qualidade e quantidade da safra”, explicou. O preço histórico do café chegou a R$ 320 (60 kg).
A última cotação foi R$ 280 para o despolpado e o bebida dura, R$ 260. “Não dá para cobrir os custos de produção. É muito difícil. Tem gente pagando para trabalhar na própria terra e pagando caro porque não há retorno sequer para o próprio esforço”, diz Israel Viana.
O quadro pode se agravar com o anunciado fechamento da agência do Banco do Brasil na região. Diante das incertezas que rondam o carro-chefe da agricultura de Barra do Choça, até mesmo os pioneiros ameaçam abandonar a cultura no município.
Um deles é o próprio Israel Viana, que possuía 130 mil pés de café plantados e hoje mantém 50 mil, numa área de 36 hectares. Eram 40 hectares, mas 10 foram reservados para o plantio de feijão e milho.
“Daqui a alguns dias eu vou ver o que faço com o restante. Talvez lotear parte, como muitos estão fazendo”, contou ele, advogado e ex-prefeito do município.
Um dos primeiros a acreditar na cultura que trouxe riqueza para o Planalto de Conquista nos idos dos anos 1970, Israel Viana conserva as primeiras plantas que chegaram ao solo do município com incentivo do Banco do Brasil.
O ano era 1972 e os juros de 3% ao ano, com mais três anos de carência faziam a festa dos novos cafeicultores baianos. Para os que não possuíam terra, o banco também fazia a sua parte e liberava recursos para aquisição de quantos hectares fossem necessários para que o café ganhasse impulso.