Área com laranja triplica no sudoeste

08/02/2007

Área com laranja triplica no sudoeste

Citricultura cresce sobre áreas antes voltadas para o cultivo de grãos, em um movimento de ‘descida’ no mapa do Estado
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O plantio supervisionado de tangerinas sem sementes é parte do movimento de 'descida' dos pomares de citros para a região sudoeste paulista. Otimistas, produtores que já produziam citros em municípios como Avaré e Itapeva vêm aumentando a área plantada com laranja, principalmente.

Há também diversos casos de citricultores mudando-se para lá, deixando regiões tradicionais no norte do Estado, como Araraquara e Barretos, onde a citricultura está perdendo a guerra contra o cancro cítrico, a morte súbita e o greening e, mais recentemente, sofrendo a pressão da cana-de-açúcar.

Os pomares na regional de Avaré, que abrange 12 municípios, cresceram de pouco mais de 1 milhão em 2001, para 2,2 milhões de árvores em produção e cerca de 1,6 milhão de pés novos no ano passado, segundo levantamento da Coordenadoria de Assistência Técnica e Integral. A produtividade também melhorou. Hoje é de 3 caixas (40,8 quilos) por árvore/ano. 'Isso mostra que a laranja está se adaptando bem à região', diz o agrônomo Antonio Rangel, diretor da regional.

O administrador da Fazenda São Paulo, em Itapeva (SP), João Jacinto Dias, que plantou 10 mil novos pés de laranja por ano, nos últimos 3 anos, aponta como incentivo o custo de produção, de US$ 3/caixa ante US$ 4/caixa nas outras regiões. Diz que no ano passado o lucro só não foi maior porque tinha contrato de venda antecipada a US$ 3,40 a caixa (R$ 7). 'Quem não tinha vendeu por R$ 14 a caixa.' Este ano vai plantar 15 mil novos pés.

Na fazenda Bethanea, em Itapeva (SP), o produtor Milton de Moura Müzel conta que os 26 mil pés de laranja originais foram multiplicados por três, chegando a 84 mil pés. 'Aqui não se fala em cancro, greening, nem em morte súbita', justifica. Além de ampliar a margem de lucro, ele diz que a produtividade está maior. 'Devemos ultrapassar 100 mil caixas nesta safra. Quando o pomar estiver em plena produção, serão 250 mil.'

O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos, Ademerval Garcia, confirma o bom momento do setor. 'O preço deve ficar estável pelo menos nos próximos três anos', diz. Segundo ele, atualmente há um equilíbrio na oferta e na demanda. 'A oferta está baixa e não temos estoques. A Flórida também não tem', lembra.

INFORMAÇÕES:Cati Avaré, tel. (0--14) 3733-1977; Cepea; Vivecitrus, tel. (0--16) 3331-1301