Para ministro, transposição não afeta geração de energia

09/02/2007

Para ministro, transposição não afeta geração de energia

 

A transposição do Rio São Francisco não deve afetar a potência de geração de energia do rio, que comporta o principal conjunto de hidroelétricas da região Nordeste.

Pelo menos é o que avalia o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, que falou com exclusividade a A TARDE, ontem, para detalhar os investimentos nas áreas de geração e transmissão de energia para a Bahia, previstos no Programa de Aceleração do Crescimento ( PAC).

“Estamos absolutamente convencidos que a vazão a ser retirada (do São Francisco) é uma coisa insignificante em relação à capacidade de geração de energia elétrica”, declarou, ponderando que eventuais efeitos nessa áreas, seriam compensados pelos benefícios que ele considera positivos da transposição, “principalmente o efeito social que a medida trará para o agreste nordestino”.

Para exemplificar a fartura hídrica do Velho Chico, Rondeau contou que nos próximos dias a Usina de Sobradinho – a principal do complexo da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) – vai abrir as comportas da barragem, devido ao enchimento do lago causado pelas fortes chuvas na cabeceira do rio no norte de Minas Gerais. “É uma água que não passará pelas turbinas, portanto não gerará energia já que a usina atingiu sua capacidade máxima de geração”, disse.

Segundo o ministro, que é maranhense, o São Francisco teria “essa característica, de água suficiente por possuir um dos maiores reservatórios do Brasil, o que permite gerar energia para atender a demanda com folga, sem nenhum prejuízo de qualidade do perfil de operação da Chesf no Nordeste“, declarou sem considerar os períodos de grandes secas que podem diminuir drasticamente a vazão.

PROJETOS – Embora as usinas do São Francisco garantam uma boa demanda de energia, suficiente para evitar apagões a curto e médio prazo, Rondeau informou que vários projetos da área permitirão atender ao crescimento de demanda de energia elétrica do Estado para os próximos anos calculado em 5%.

Entre os investimentos previstos estão a de mais duas hidroelétricas no São Francisco: Pedra Branca, com capacidade de 320 megawatts e custo de R$ 736 milhões e a de Riacho Seco, com geração de 240 megawatts e investimento de aproximadamente R$ 552, 2 milhões.

Além dessas, Rondeau citou as três termoelétricas que a Petrobras está instalando em Camaçari, com capacidade total de 436 megawatts e custo global de R$ 1,2 bilhão. O PAC prevê ainda as linhas de transmissão Ibicoara/ Brumado II (230 kV) com 105 quilômetros (R$ 67,64 milhões) e a Funil/ Itapebi (230 kV) de 198,7 km (R$ 48,6 milhões).

LEILÕES –Dentro do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica, está prevista ainda a instalação de três pequenas centrais hidroelétricas com potência total de 41,80 megawatts e investimento de R$ 189 milhões.

Rondeau lembrou que a maior parte dos recursos não sairá dos cofres da União, são de empresas que venceram ou disputarão leilões de energia e vão explorar as usinas e linhas de transmissão.

O ministro rebateu os especialistas que calculam não haver energia suficiente no Brasil para suportar o crescimento de 5% da economia previsto pelo PAC. Segundo ele, o governo vai garantir a quantidade de energia necessária para suportar qualquer taxa de crescimento da economia.

Rondeau ponderou que em nenhum lugar do mundo os governos trabalham para produzir uma superoferta de energia. ”Sempre se ajusta a geração em função da demanda; se você ofertar menos do que necessário é racionamento, se você ofertar muito ela será muito cara. O ponto de inteligência é exatamente chegar ao equilíbrio”, explicou o ministro.

Conforme o ministro o sistema estará preparado para fornecer energia em tempo hábil. “Ninguém consegue implantar um pólo petroquímico, uma grande indústria, rapidamente. As hidrelétricas médias levam 3 a 5 anos para serem construídas”, enfatizou.

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