Nestlé inaugura sua
segunda fábrica na Bahia
Unidade de Feira de Santana tem capacidade para produzir 50 mil toneladas por ano, gerando cerca de 2 mil empregos
"Obrigado à Nestlé por continuar acreditando no Brasil", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na inauguração da nova fábrica da empresa na Bahia. Instalada no Centro Industrial do Subaé (CIS), em Feira de Santana, ela iniciou oficialmente as suas atividades ontem, com capacidade instalada de produção de 50 mil toneladas por ano na primeira fase, gerando cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos.
Participaram da solenidade o governador Jaques Wagner, os ministros da Defesa, Waldir Pires, das Relações Exteriores, Celso Amorim, e de Minas e Energia, Silas Rondeau, além da ministra da Economia da Suíça, Doris Loytatt.
O presidente Lula afirmou que, quando foi lançado o programa Primeiro Emprego, a Nestlé disponibilizou duas mil vagas. "A Nestlé deveria ser muito mais que um discurso de presidente ou uma decisão político-econômica do governo brasileiro, mas um cartão de visita ou carta-convite para que qualquer empresário estrangeiro possa investir no Brasil. Se a Nestlé deu certo, certamente há espaço para muitas outras empresas investirem no Brasil", declarou.
Ele destacou o potencial do povo baiano: "É um orgulho para mim, cada vez que estou numa reunião com empresários de multinacionais, ouvir como eles falam da criatividade e da capacidade dos brasileiros, sobretudo dos baianos". Lula fez também questão de falar sobre o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado no mês passado, dizendo que a intenção da iniciativa é mostrar ao país que não há possibilidade do Brasil retroceder. "Este é o melhor momento para investimento, seja o capital nacional ou estrangeiro", disse.
Para o presidente, foi difícil conter a emoção de estar ao lado de Jaques Wagner como governador e poder compartilhar esse momento histórico da Bahia. "Estou emocionado em chamar o meu companheiro Wagner de excelentíssimo governador. Somos amigos e companheiros de luta", afirmou.
Nova fase.
Lula destacou sua boa relação com o ex-governador Paulo Souto, mas explicou que a Bahia vive uma nova fase. "Não posso deixar de falar que a eleição de Jaques Wagner deve abrir um horizonte maior no que diz respeito ao social. Está nas mãos dele fazer a maior política social que já se viu neste estado, porque só vai valer a pena se daqui a quatro anos tivermos índices menores de desigualdade", observou.O presidente e as autoridades visitaram as instalações da fábrica em companhia do presidente da Nestlé nas Américas, Paul Bulcke, do presidente da Nestlé Brasil, Ivan Zurita, e do diretor regional Norte/Nordeste da empresa, Johnny Wei. Ali, puderam ver o processo de produção, conversar com alguns funcionários e parabenizar o potencial da Nestlé.
"Meu maior orgulho é saber que os empresários que estão aqui decidiram se instalar no estado não só pelos incentivos fiscais e pela questão geográfica, mas pela capacidade dos nossos trabalhadores de se qualificar e produzir. Em 39 dias de governo, esta é a segunda fábrica que estamos inaugurando. Na semana passada, inauguramos em Camaçari a fábrica da Bridgestone, que fez com que a Bahia ficasse responsável pela produção de 55% dos pneus do país", disse Wagner.
O governador afirmou que era com alegria que lembrava que foi em 1978, quando esteve com Lula no Congresso de Petroleiros e Petroquímicos na Bahia, que se falou pela primeira vez na fundação e construção de um partido dos trabalhadores. "Depois de 29 anos, Lula é presidente do Brasil e eu governador da Bahia. Isso não estava escrito, nem previsto, mas estamos aqui hoje, nós que viemos do chão de fábrica e da mesma história de luta. Estou emocionado em receber pela primeira vez como governador o presidente, ainda mais por se tratar da inauguração de uma fábrica que vai gerar emprego e esperança para muitos trabalhadores da Bahia", ressaltou.
Wagner agradeceu também à equipe do governo passado pelo trabalho realizado para a atração da fábrica. "Como gosto de ser justo, quero render minhas homenagens à equipe do governo anterior, que não teve a sorte que eu tive de estar vivendo este momento. Parabéns à equipe, que deve ter oferecido as melhores condições para vocês estarem aqui, e posso garantir que o nosso governo oferecerá melhores condições ainda para que a Nestlé possa continuar crescendo e, mais que isso, para que vocês sejam garotos-propaganda da mão-de-obra e da qualidade do trabalho na Bahia, para que outras empresas possam se instalar aqui", disse.
Duplicação.
O governador anunciou que os recursos para a duplicação do anel rodoviário de contorno de Feira de Santana já estão assegurados pela bancada baiana no Congresso. Ele falou ainda sobre outras obras que estão em andamento e deixou claro que, independentemente de partido político, o objetivo era um só: o povo baiano."Vamos duplicar o anel de contorno de Feira, assim como vamos construir o Hospital da Criança do município. Já estamos duplicando o anel ferroviário de Cachoeira, para recuperar o braço ferroviário que liga o município a Feira, para que possamos recepcionar novas indústrias. Vamos também acelerar a concessão da parceria público-privada para as BRs 116 e 324, para termos estradas de mais qualidade. Estamos trabalhando ainda na Hidrovia do São Francisco", declarou.
Para Zurita, Feira de Santana foi escolhida pela Nestlé por contar também com um importante pólo industrial e estar estrategicamente localizada. "Essa conjunção de fatores contribuirá para reduzir os custos, principalmente logísticos, e fazer os produtos da Nestlé chegarem com preços mais compatíveis com a renda da população local", disse. A produção desta nova fábrica será absorvida pelo próprio mercado do Norte e Nordeste.
A primeira unidade da Nestlé na Bahia foi construída em Itabuna, em 1984. A implantação da nova fábrica contou com o apoio do governo da Bahia em obras de suporte de infra-estrutura e incentivos fiscais do Programa Desenvolve.
A nova fábrica, a 27ª no país, produzirá inicialmente massa, bebida, achocolatado e café solúvel. No futuro, produzirá ainda sorvete, iogurte, biscoito, sopa e caldo.
O empreendimento ocupa 66 mil metros quadrados de área total construída, dos quais 18 mil metros quadrados para abrigar um importante centro de distribuição, que atenderá ao aumento da demanda do mercado nordestino pelos produtos da marca, que tiveram um crescimento real de 15% no ano passado – mais que o dobro, em comparação a outras regiões do país, segundo a empresa. A expansão da fábrica deve ser concluída em duas fases futuras.