Produção de biocombustível estimula cultivo de mamona
Com uma produção de 90 mil toneladas/ ano, a cultura da mamona na Bahia deve triplicar a área plantada nos próximos dois anos devido à demanda da indústria de biocombustível. A expectativa é do superintendente da área de Agricultura Familiar da Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia (Seagri), Ailton Florêncio, que aposta na cultura como uma importante alternativa para os pequenos produtores agrícolas.
Segundo Ailton, a maior colheita da Bahia está em Irecê, mas outras regiões devem aumentar a produção por conta da demanda da indústria, que está sendo estimulada a produzir.
O superintendente lembra que em recente relatório da ONU(Organização das Nações Unidas) sobre o aquecimento global, o padrão de consumo de energia fóssil foi condenado, por isso a mamona surge como uma alternativa impor tante.
Além da mamona, Ailton destaca ainda o dendê, o pinhão manso, o girassol e a soja como opções para a produção de biodiesel. De todas, a soja é a única que está fora da agricultura familiar.
Ailton lembra que existe um selo combustível social que determina que pelo menos 50% da produção de biocombustível no Nordeste tem que ser oriunda da agricultura familiar. “A Seagri vai apoiar a organização dos agricultores para que eles possam instalar pequenas usinas de esmagamento e, em vez de vender o grão, que tem pouco valor agregado, comercializar o óleo na primeira fase de processamento”, ressalta.
O superintendente destaca que, como a produtividade na Bahia é baixa, a Seagri pretende estimular pesquisas para melhorar o desempenho do setor. Nos próximos dois anos, a expectativa é que mais 180 mil toneladas se agreguem às atuais 90 mil do produto.
Devido à importância da cultura para o Estado, o 3º Congresso Brasileiro da Mamona, promovido a cada dois anos pela Embrapa, será na Bahia.
BENEFÍCIOS – De acordo com o Ministério da Agricultura, com o selo combustível social, as empresas terão benefícios como desconto em PIS, Cofins e acesso a melhores condições de crédito.
O envolvimento dos agricultores ocorre por meio de contratos que garantem preço, aquisição e assistência técnica. As negociações, de acordo com o Ministério da Agricultura, são respaldadas por organizações dos agricultores familiares, como sindicatos, federações e movimentos sociais. O governo federal tem estimulado a implantação de pólos de produção de oleaginosas em todo o País.
Até o final de 2007, a meta é chegar a 32 pólos instalados em todo o País, somando 200 mil famílias. Até 2010, o governo federal espera alcançar 81 pólos, com a participação de 350 mil agricultores familiares em todo o País.
# 180.mil toneladas de mamona é a expectativa de acréscimo à
produção de 90 mil toneladas/ano do Estado da Bahia nos próximos dois anos por conta do estímulo da indústria de biocombustível. Fonte: Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia (Seagri)