Usina nuclear no Velho Chico
O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco é totalmente contrário à instalação de usinas de energia nuclear às margens do rio.
Essa possibilidade consta do plano elaborado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear. Apesar de não se dizer contrário a esse tipo de energia, o secretário-executivo do comitê, Anivaldo Miranda, afirma que o rio São Francisco não tem espaço para as usinas. “O sistema ambiental do rio já está altamente impactado e o governo ainda quer construir mais três barragens. Já se abandonou o projeto de revitalização do rio e agora volta essa idéia das usinas”, criticou.
Miranda conta que, no ano passado, o comitê chegou a ser informado da possibilidade que duas usinas nucleares fossem construídas na região, o que logo depois teria sido desmentido. “Agora já se fala em três. Acredito que o mal do governo é a imposição de mega soluções que não são confrontadas com a opinião pública”, disse.
“Não temos nada especificamente contra a energia nuclear. Nos preocupa a seriedade dos projetos, porque nesse tipo de usina não se pode ter nenhum risco de acidente, e o impacto na região. Escolher o São Francisco para isso é um absurdo”.
Anivaldo diz que, sempre que trata do São Francisco, o governo se contradiz. Um dos argumentos para a transposição seria o de que não afetaria a produção de energia elétrica na região. Agora, no caso das usinas, uma das justificativas é de que a região precisa de mais energia.
O ex-ministro do Meio Ambiente do governo Fernando Henrique e hoje deputado federal Sarney Filho (PV-MA) também é contrário à proposta de novas usinas nucleares, mas não por ser às margens do São Francisco. Para ele, a localização das obras é irrelevante. “Em qualquer lugar, os riscos são inúmeros”, afirmou. O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), que já foi presidente da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), não vê mal algum em construir uma central nuclear naquela região.
“Não há nenhum problema, desde que seja utilizada tecnologia mais avançada”, comentou. “O Nordeste, em questão de energia, só tem um caminho: diversificar.” Ele acha que, além da energia nuclear, devem ser exploradas outras formas de geração, como as pequenas usinas hidrelétricas, a biomassa e a energia eólica.
GOLPE CERTEIRO As resistências à energia nuclear por causa de riscos ao meio ambiente receberamum golpe certeiro há duas semanas, com a divulgação do Painel Intergovernamental deMudanças Climáticas. Diante do aquecimento global, alguns ambientalistas começaram a afirmar que o uso da energia nuclear é um "mal menor”.
A tese fez até mesmo com que o Partido Verde reabrisse a discussão sobre o assunto, conta o deputado Sarney Filho (PV-MA), ex-ministro do Meio Ambiente”. Foram feitos pedidos para que a questão fosse novamente discutida, o que deverá ser feito em breve”, conta.
Na edição de jornal O Estado de São Paulo revela que o governo planeja construir seis novas usinas nucleares até 2030, conforme plano elaborado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
A questão é polêmica e o primeiro desafio é decidir quanto à construção de Angra 3.
Outro reforço inesperado a favor de um uso mais intensivo da energia nuclear no Brasil vem do presidente da Bolívia, Evo Morales, segundo lembrou o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), especialista no tema energia. “Evo Morales e os conflitos do Oriente Médio são os grandes aliados da energia nuclear”, disse. Quanto mais Morales pressiona para aumentar o preço do gás natural e tornar incerto o fornecimento do produto para as usinas termelétricas brasileiras, mais razões o País tem para diversificar sua matriz energética, buscando outras formas de se proteger contra um novo apagão. O mesmo vale para o Oriente Médio, outra possível fonte de combustíveis para as termelétricas.