Variedades espanholas estão sendo estudadas no Brasil

12/02/2007

Variedades espanholas estão sendo estudadas no Brasil

Desde o ano passado, um intercâmbio entre Brasil e Espanha passou a firmar a área de vitivinicultura do Vale do São Francisco através das experiências com as cultivares espanholas Grenache e Tempranillo. De acordo com o pesquisador Giuliano Elias Pereira, enólogo da Embrapa, ”é possível visualizar a produção de espumantes e vinhos jovens a partir da Grenache, isso pela coloração rosada e aroma frutado que a uva tem apresentado nas condições do clima e do solo do Vale“, destaca.
Ele diz que, apesar de a Tempranillo apresentar bons resultados nos testes realizados com outras cultivares, ainda há muito o que ser pesquisado. Isso porque as plantas em estudo são muito jovens.
As principais zonas produtoras de vinho da Espanha são Navarra e as regiões de Ribeira del Duero e Rioja.
Os empresários estão surpresos com a possibilidade de produção das cultivares em uma região como a do Vale do São Francisco, pois não acreditam que “possa haver viabilidade do vinho no paralelo 8, pois o conhecimento mostra a prática nos paralelos 30 e 50, que compreende Califórnia, Europa e China, e o 30 e 40, com Argentina, Chile, Uruguai, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia”.

EXPERIMENTOS – O projeto de intercâmbio vai gerar mais competitividade, facilitando a internacionalização com base no conhecimento tecnológico.
Os plantios experimentais existem há quase dois anos no Vale do São Francisco e as cultivares Grenache e Tempranillo têm apresentado, segundo os pesquisadores da Embrapa, comportamento produtivo com diferenças registradas nos vinhedos de Navarra, localizados em climas temperados. A produtividade consegue provar que a uva pode ser convertida e revertida em vinho de qualidade.
Quem está participando dessa experiência são as fazendas Milano, que fica em Santa Maria da Boa Vista (PE), Garibaldina, localizada em Lagoa Grande (PE), e Ouro Verde, em Casa Nova (BA), com produção da Grenache.
O enólogo Giuliano Pereira afirma que a obtenção de vinhos de qualidade depende em cerca de 85% da qualidade da uva na colheita. Por isso os produtores têm investido em qualificação para obter os melhores resultados na colheita.
A idéia é tornar o intercâmbio com outros países essencial para que os segmentos que atuam no setor definam de forma apropriada os perfis de vinho que deverão ser elaborados futuramente no Vale do São Francisco. (C.L.)

* As fazendas que estão participando dessa experiência de intercâmbio com a Espanha são: Milano, que fica em Santa Maria da Boa Vista (PE), Garibaldina, localizada em Lagoa Grande (PE), e Ouro Verde, em Casa Nova (BA). As cultivares espanholas que estão sendo estudadas são a Grenache e a Tempranillo.