Variedades reforçam a alimentação

12/02/2007

Variedades reforçam a alimentação

Apesar de o Brasil ser o segundo maior produtor de mandioca, o alimento ainda é pouco estudado no Brasil. Na Bahia, segundo maior produtor do País, atrás do Pará, essa realidade vem mudando com pesquisas que buscam melhorar os índices de nutrientes encontrados na raiz dessa planta tipicamente brasileira.
A Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, em Cruz das Almas, está desenvolvendo três projetos buscando uma melhor nutrição humana e melhoramento genético da espécie.
Esses projetos são coordenados por Hernan Ceballos, diretor do Centro Internacional de Agricultura Tropical (Ciat), que esteve no campo de experimentos da Embrapa na semana passada.
Atualmente, existem mais de quatro mil variedades da mandioca no País e a maioria ainda está em estudo. Mas duas variedades foram lançadas com altas concentrações de betacaroteno (precursor da vitamina A), permitindo a produção de uma farinha fina amarela (farinha de copioba), que dispensa o uso de corantes, utilizados por agricultores para dar essa coloração ao produto.
São denominadas de BRS Gema de Ovo e BRS Dourada, ambas desenvolvidas pela melhorista Wania Fukuda, da Embrapa.
“Elas podem ser utilizadas tanto como aipim cozido, frito em forma de chips ou palito e em bolos e pudins, por exemplo. O cozimento é rápido, o sabor é doce e não tem fibras. A Gema de Ovo é usada principalmente para consumo cozido e em forma de farinha. Já a Dourada serve para tudo”, garante a pesquisadora da EmbrapaMandioca e Fruticultura Tropical, de Cruz das Almas.

TOLERÂNCIA – Inicialmente, as variedades são indicadas para plantios em solos do Recôncavo Baiano e dos Tabuleiros Costeiros, parecidos com os de Cruz das Almas – com índice de chuvas anuais em torno de 1.200 mm –, mas estão sendo testadas também na região do SemiAacute;rido, nas regiões de São Luís (Maranhão), Caetité (Bahia) e Araripina (Pernambuco).
“Elas já estão sendo avaliadas há um ano, mas é preciso ter o aval dos produtores durante dois anos, para depois estender a recomendação a outros ecossistemas”, explica a melhorista.
A variedade BRS Dourada é originária do município de Maragojipe (Bahia), enquanto a BRS Gema de Ovo é originária do Estado do Amazonas.