Iraquara tem a maior unidade de produção de biodiesel das Américas

13/02/2007

Iraquara tem a maior unidade de produção de biodiesel das Américas

A fábrica recebeu investimento de R$ 33 milhões, vai gerar 600 empregos e tem capacidade para produzir 120 milhões de litros do biocombustível por ano

 

A maior unidade de produção de biodiesel das Américas, de propriedade do Grupo Brasil Ecodiesel Indústria e Comércio de Biocombustíveis e Óleos Vegetais, foi inaugurada no sábado, em Iraquara, na Chapada Diamantina, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Jaques Wagner.

A fábrica, que representou um investimento de R$ 33 milhões, vai gerar 600 empregos diretos e indiretos e tem capacidade para produzir anualmente 120 milhões de litros do biocombustível e para esmagar 800 toneladas de sementes por dia.

Na Bahia, a produção vai beneficiar tanto a agricultura familiar, responsável por 80% da mamona produzida no país, como a de base empresarial do oeste, que vem se destacando pela alta produtividade do algodão. Atualmente, a empresa beneficia cerca de 34 mil famílias de agricultores de 150 municípios baianos – 24 mil por contrato direto e 10 mil por meio de cooperativa.

Segundo o governador, a geração de emprego e renda é que dá dignidade às pessoas. "Por isso a importância do biodiesel, que vai alimentar a esperança de milhares de famílias de agricultores daqui da Chapada Diamantina, que poderão, por meio da produção da mamona e outras oleaginosas, garantir a sua subsistência", afirmou.

Wagner disse que a região está recebendo a primeira unidade de produção do combustível que vai colocar o Brasil no centro das atenções do mundo. "Vamos, junto com o governo federal, trabalhar para a libertação definitiva da nossa gente, produzindo o biodiesel e ajudando a cada um dos agricultores familiares e dos demais envolvidos na cadeia produtiva ", explicou.

Solução estratégica.

Para Lula, o biodiesel não só é uma solução estratégica como combustível, mas também não é poluente e gera milhões de empregos em países que têm afinidade com a agricultura. Ele disse estar otimista, "porque os países ricos precisam cumprir o Protocolo de Kioto e diminuir a emissão de gases, e nós, no Brasil, é que temos a produção do álcool e do biodiesel. Temos terra, sol, água e gente boa para trabalhar".

O presidente afirmou que a Petrobras vai implantar algumas usinas de biodiesel. "Queira Deus que consigamos transformar o Brasil, neste século XXI, na maior potência energética do mundo, sobretudo com a produção de combustíveis renováveis que não poluam o planeta", comentou.

O presidente da Brasil Ecodiesel, Nelson Silveira, declarou que a Bahia tem o privilégio de já possuir uma tecnologia muito desenvolvida na área de biodiesel. Ele disse que existem cultivares que só a Bahia planta, e o restante do Nordeste tem muito o que aprender com a organização dos produtores baianos. "Você tem hoje uma estrutura sindical muito forte, com a atuação de cooperativas e associações. Assim, o estado é atualmente um irradiador de capacidade de organização e técnica", observou.

De acordo com Silveira, a produção de oleaginosas é uma atividade econômica alternativa para diversas regiões onde não se tem plantio alimentar intensivo, especialmente o semi-árido, permitindo o respectivo desenvolvimento econômico. "Essa foi a visão que o governo federal teve quando lançou o programa de biodiesel, privilegiando com benefícios fiscais quem trabalha efetivamente no semi-árido nordestino", declarou.

Ele afirmou que o Brasil já faz o maior programa mundial de renováveis, que é o Pró-álcool, em substituição à gasolina. "Agora, o Nordeste tem a oportunidade de se tornar o grande fornecedor de biocombustíveis e substitutos do diesel", explicou.

Para isso, o apoio do governo da Bahia se deu por meio do enquadramento do projeto no Programa Desenvolve. Com esse programa, as empresas recebem incentivos fiscais que podem chegar a 90%, a depender do número de empregos gerados e do investimento.

Garantia de venda.

Com a implantação da empresa, o preço da saca de 60 quilos de mamona, na região de Iraquara, subiu de R$ 20 para R$ 36. A família do agricultor Edson Souza Braga, 45 anos, vive com o que produz em sua propriedade. "Investi R$ 600 em milho e perdi todo o dinheiro. Agora, vou plantar seis hectares de mamona, pois a venda da minha produção vai estar sempre garantida", comemorou.

Outras 300 famílias da região já têm contrato com a empresa ou com a Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar (Coopaf) para a venda da mamona. Cada família possui em torno de 65 hectares, dos quais cerca de 70% já estão produzindo a oleaginosa. São 2,7 mil hectares plantados, número que deve alcançar os 6 mil até o final de 2008, havendo inclusive o aumento da produtividade graças aos investimentos em tecnologia e assistência técnica.

O biodiesel

Combustível renovável e biodegradável, derivado de óleos vegetais ou de gordura animal, o biodiesel é utilizado em motores diesel, como substituto parcial ou integral do óleo diesel mineral. Pode ser utilizado também em motores diesel convencionais, sem a necessidade de modificação, podendo ainda ser misturado com óleo diesel mineral em qualquer proporção, o que permite a sua imediata inserção na matriz energética.

Por ser um combustível de queima limpa, a utilização integral do biodiesel em motores diesel permite uma redução de até 78% nas emissões de monóxido de carbono, comparado ao óleo diesel mineral. Os principais insumos para a produção do biodiesel são os óleos vegetais obtidos da soja, palma, girassol, canola e algodão. Os óleos derivados da mamona e do pinhão-manso, por sua toxicidade, são utilizados apenas para fins industriais.