Argentina não cede; trigo e farinha seguem taxados
A Argentina não cedeu aos pleitos dos moinhos brasileiros, de reduzir os subsídios e igualar em 20% as taxas de exportação cobradas para a farinha, pré-mistura e trigo em grão. Não houve avanço na reunião da Comissão de Monitoramento Brasil e Argentina, em Buenos Aires, ocorrida ontem e anteontem. A tarifa de exportação é de 10% para a farinha e a mistura e de 20% para o trigo. Além disso, o moinho argentino paga apenas US$120 por tonelada de trigo, enquanto que o Brasil, um dos principais compradores do cereal do país do vizinho, paga US$ 190 a tonelada para importar o produto.
A intenção do Brasil é uniformizar as tarifas para permitir que a farinha chegue ao País com preços mais competitivos, já que a importação da farinha pronta torna-se mais vantajosa que a compra do trigo. "Queremos igualdade de condições, pois a nossa indústria é bem equipada e, por isso, competitiva em igualdade de condições’’, disse o diretor do Sindicato das Indústrias do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo), Christian Saigh.
Diante do fracasso na negociação, os moinhos do País prometem pressionar o governo para taxar a farinha pronta da Argentina em 31% e a pré-mistura em 36%. Mas o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior informa ser inviável, pois as regras do Mercosul não permitem aplicar imposto de importação sobre qualquer produto dos países membros. O secretário-executivo do órgão, Ivan Ramalho, disse, em nota, que o assunto voltará a ser discutido na próxima reunião da Comissão, sem data definida.
A Argentina pediu rapidez na liberação de misturas de farinha de trigo na fronteira do Brasil. Em 2006, o País aumentou a fiscalização na entrada desse produto no País para evitar que entrasse aqui farinha classificada como pré-mistura, para não pagar impostos.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Viviane Monteiro)