Confinamento valoriza grãos
Integração lavoura e pecuária melhora rentabilidade de produtores do Centro-Oeste
A recomendação de que não se deve pôr todos os ovos na mesma cesta está sendo seguida à risca por alguns produtores de grãos de Mato Grosso, que encontraram na integração lavoura-pecuária de confinamento uma forma de enfrentar a crise e elevar a renda. A diversificação de atividades tem vantagens para o pecuarista, que consegue engordar o boi na seca, e para o agricultor, que não compete por preços na safra, só vende o excedente fora do pico e economiza em frete.
'A diversificação melhora o fluxo de caixa', diz o produtor de grãos Orcival Guimarães, que confinou 20 mil cabeças de gado, em 2006, em Lucas do Rio Verde e Sorriso. 'Vendo boi na entressafra, quando o mercado está desabastecido e o preço, em alta.' Além disso, com o confinamento as máquinas não ficam paradas e os empregados não precisam ser dispensados na entressafra.
CINCO FRENTES
Entusiasmado com os bons resultados do confinamento, este ano Guimarães tem parceria com pecuaristas para confinar mais de 50 mil cabeças. No ano passado, plantou algodão, soja, milho e sorgo e fez a integração lavoura-pecuária. 'Vamos manter essas cinco frentes. Só não tive prejuízo porque a integração me salvou; agora, a meta é ter lucro.' Ainda não fechou o balanço, mas calcula que a rentabilidade melhorou. 'Além da safra e da safrinha, na fase boa, o boi proporciona boa margem de lucro e, na ruim, reduz o prejuízo ', diz. 'O lucro não é grande, mas agrega valor à produção e, em vez de transportar milho, sorgo e caroço de algodão, transporto carne, cujo valor do frete é bem menor .'
Para aproveitar a safra de grãos, o Grupo Aguiar, com fazendas em Primavera do Leste e Querência (MT), confinou 4.500 bois em parceria com um produtor. 'Este ano serão 12.500 cabeças. Vou precisar de mais parceiros', prevê o paranaense Cirineu de Aguiar. 'Valorizei os grãos, que utilizo para fazer ração balanceada e silagem (soja, caroço de algodão, milho, sorgo e milheto).'
TENDÊNCIA
Segundo o diretor da Fundação FNP, José Vicente Ferraz, há uma tendência tecnológica de enriquecer a dieta de bovinos com grãos na fase de terminação. 'O uso mais intensivo de grãos proporciona acabamento de carcaça mais rápido', afirma. Ele, porém, aponta uma falha. 'Quando o preço dos grãos está deprimido é viável, mas quando começa a subir e a cotação da arroba bovina continua em baixa, passa a ser um problema econômico.'
No entanto, para os produtores de grãos de Mato Grosso, ele acredita que o confinamento possa ser uma opção viável. Apenas a margem vai ficar mais apertada, porque o preço do grão deve reagir e há incertezas sobre a cotação da arroba bovina.
'O preço do grão está subindo, o que deve afetar o custo de engorda do boi', justifica. 'É uma boa estratégia, mas de longo prazo.'