Aipim orgânico é mais valorizado
De valor três vezes maior no mercado do que o tradicional, o aipim orgânico vem conquistando espaço entre produtores que buscam um alimento saudável e isento de agrotóxicos. Uma pesquisa sobre o tema vem sendo desenvolvida por Jaeveson Silva, da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical de Cruz das Almas (a 146 km da capital).
O trabalho é executado no Sítio Bom Sucesso, município de Conceição do Almeida.
“A mandioca é uma cultura altamente erosiva e a agricultura orgânica tem a preocupação em melhorar a qualidade do solo. Além disso, o produto orgânico tem, em média, valor três vezes maior que os provenientes da agricultura convencional”, explica Jaeveson.
A pesquisa começou em agosto de 2005 e foi realizada em três localidades: no Sítio Bom Sucesso e na Fazenda Gurgel (em Conceição do Almeida) e numa área em Santo Antônio de Jesus.
Em cada localidade foram instalados dois experimentos, um avaliando oito variedades (eucalipto, dourada, paraná, saracura, aipim rosa, aipim do sul, cacauzinho e casca roxa) em solo adubado com esterco e fosfato natural.
O outro experimento está avaliando nove adubações orgânicas .
Usando fileiras duplas (com espaçamento de dois metros entre as culturas), em modelo de consórcio com a cultura de feijão e gergelim, a quantidade da mandioca plantada é a mesma em estilo convencional.
“Com esse consórcio, fazemos também o controle biológico do terreno, evitando também as pragas naturais”, diz Pedro Augusto Borges Coni, presidente da Associação de Produtores Orgânicos do Recôncavo Baiano (Aporba) e proprietário da Fazenda Bom Sucesso, onde o trabalho de parceria com a Embrapa está dando bons frutos.
“Utilizamos o gergelim para proteger a plantação de aipim dos formigueiros e também para a comercialização, que é muito rentável”, continua Pedro. “Utilizamos gergelim e a manipueira da mandioca como forma natural de combate ao formigueiro”, completa.
Consórcio – O formigueiro se alimenta do fungo produzido pelas folhas que as formigas coletam da planta, e o gergelim tem um princípio ativo que prejudica o crescimento desse fungo, fazendo com que as formigas procurem outra plantação. O sistema serve para que as formigas ataquem o plantio de gergelim e deixem a planta da mandioca livre.
Com o ciclo de colheita a cada três meses, o gergelim atua ao lado da mandioca, que em média leva dez meses para ser colhida. As variedades rosa e dendê (dourada) foram utilizadas no experimento sem adubação e em outro momento, em solo com esterco e fosfato natural (pó-de-rocha).
A escolha por essas variedades dependeu da produção, do aspecto da raiz (coloração e forma da casca, por exemplo), além da quantidade de vezes que pode ser arrancada, sem se perder a qualidade da planta.
Para manter o equilíbrio da plantação, a urina de vaca também é outro método para adubação, muito comum na produção orgânica.
Não se pode esquecer de diluir, devido ao alto teor de sal encontrado no líquido. “É como nossa urina, já que o fígado filtra todo o sal dos nossos alimentos; então, pode matar a planta se colocada diretamente sobre ela”, alerta o pesquisador.
Além da urina da vaca, que pode ser coletada pelo próprio produtor, logo no início da manhã, ele ainda pode utilizar um composto à base de esterco e amido, encontrado nas atividades agroindustriais (colheitas, restos de frutos, folhas, talos, comuns em fazendas), reduzindo assim os custos de plantio e colheita.