Estado e prefeituras unem esforços para enfrentar enchentes

22/02/2007

Estado e prefeituras unem
esforços para enfrentar enchentes

Poderes já planejam a recuperação de estradas, casas e equipamentos públicos destruídos ou danificados

 

Prefeitos, secretários municipais e lideranças comunitárias do Médio São Francisco participaram na quarta-feira da reunião, em Bom Jesus da Lapa, convocada pelo secretário de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Valmir Assunção. No encontro, foram discutidas as medidas emergenciais adotadas pelo governo estadual de assistência aos municípios afetados pelas enchentes no Rio São Francisco.

Foi a segunda vez, desde a posse, que representantes do Estado visitaram a região atingida. Junto com o secretário viajaram o coordenador estadual da Defesa Civil, Antônio Rodrigues, o diretor-geral do Derba, Luís Sérgio Martins, a diretora da Divisão de Vigilância Sanitária, Ita de Cássia, e o major Júlio Nascimento, subcomandante do 3o Grupamento de Bombeiros Militares.

Eles passaram a manhã reunidos com representantes de cerca de 10 municípios atingidos, ouviram relatos detalhados sobre a situação em cada um deles e anunciaram as próximas ações. Segundo Assunção, essas medidas de caráter emergencial precisam ser compartilhadas com as prefeituras e com os governos estadual e federal, mas já é hora de planejar a recuperação das estradas, casas e equipamentos públicos destruídos ou danificados.

O prefeito Roberto Maia, de Bom Jesus da Lapa, falou sobre a precariedade da infra-estrutura da região. Ele informou o agravamento da situação das ilhas do seu município, comprometendo quase toda a produção agrícola, e destacou a atenção que vem recebendo do governo estadual, que "em menos de 40 dias mandou ajuda por meio de cestas básicas, lonas, filtros e cobertores e pela segunda vez visita a região".

Já o prefeito de Sítio do Mato, Alfredo Magalhães Jr., afirmou que
seu município figura entre os 10 mais pobres da Bahia, tem 22 assentamentos da reforma agrária – parte deles já isolada por causa da destruição das estradas. Ele prevê dificuldades nas ações preventivas de saúde, por contar com apenas três equipes do Programa de Saúde da Família (PSF).

A prefeita de Paratinga, Amenaíde Moreira, relatou a situação semelhante à de Sítio do Mato. "Somos um município grande em território, mas com estradas precárias, 80% da população vivendo na área rural, e isso dificulta o trabalho da saúde", explicou a prefeita, ressaltando que a prefeitura tem baixíssima arrecadação própria e depende dos repasses estaduais e federais.

Emergência.

Paratinga é um dos municípios em dupla situação de emergência – por causa da seca e das enchentes. O prefeito de Serra do Ramalho, Carlos Caraíba, descreveu quadro idêntico. Segundo ele, apenas 15% da população vive na sede, ficando os 85% restantes distribuídos em 20 agrovilas e mais de 40 pequenos povoados.

Caraíba confirmou o recebimento de 800 cestas básicas, lonas, colchões e cobertores, mas adiantou a necessidade de mais ajuda. "Temos cerca de mil famílias precisando ser removidas, mas ainda não temos como acomodar tanta gente", disse. O mesmo pedido fez o prefeito de Muquém do São Francisco, José Nicolau. Ele também solicitou ajuda para acomodar as famílias desabrigadas.

De Xique-Xique veio o alerta sobre a situação da lagoa de contenção próxima à cidade, que passou a receber o despejo de esgoto e, com as chuvas, elevou o nível e preocupa as autoridades municipais. O possível rompimento da contenção, além de provocar alagamento, pode aumentar o risco de disseminação de doenças por causa da contaminação pelo esgoto.

As mais de 50 ilhas estão alagadas e cerca de 3,5 mil pessoas foram removidas com o apoio de 40 lanchas alugadas pela prefeitura.

Depois de ouvir todos os relatos, Antônio Rodrigues explicou a necessidade de as prefeituras cumprirem todas as exigências legais para que a situação de emergência seja homologada pelo governo estadual.

"Se faltar algum documento ou se os formulários não estiverem corretamente preenchidos com informações precisas e confiáveis, a ajuda federal não vem", ressaltou.

Ele confirmou o envio de 20 toneladas de feijão e outras 20 de farinha cedidas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). As Voluntárias Sociais forneceram 4 mil latas de sopa e a Secretaria Nacional de Defesa Civil já liberou mais 4 mil cestas básicas, segundo o coordenador.

A diretora da Vigilância Sanitária advertiu para o risco de disseminação de hepatite A, diarréia e outras doenças causadas pelo consumo de água contaminada. A Secretaria da Saúde (Sesab) mobilizou as diretorias regionais e preparou kits de medicamentos.