Ministro minimiza impacto e descarta adiamento do projeto

23/02/2007

Ministro minimiza impacto e descarta adiamento do projeto

O ministro da Integração Nacional, Pedro Brito, evitou polemizar com o bispo de Barra, Luiz Flávio Cappio, mas descartou adiar o projeto de transposição do Rio São Francisco por conta das críticas feitas ontem pelo religioso. "O processo de debate (sobre o projeto) é permanente, ele não parou nem vai parar. O que nós não podemos é ficar adiando indefinidamente o início de um projeto que é uma demanda desde a época do Império”, disse o ministro, ao comentar que o projeto foi amplamente discutido com a sociedade e inclusive com a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil).

O bispo do município baiano de Barra, dom Luiz Cappio, ficou conhecido por ter protagonizado em 2005 uma greve de fome em protesto contra as obras de transposição do rio. Já o ministro da Integração Nacional, disse ontem estar convencido da qualidade técnica e da excelência do projeto e do respeito ao meio ambiente. "Do ponto de vista social, o projeto é inatacável, porque ele vai beneficiar 12 milhões de brasileiros e não vai prejudicar nenhum”, disse. Segundo Brito, o projeto, que chegou a prever uma transferência de 300 metros cúbicos por segundo, depois 150 metros cúbicos por segundo, ainda no governo passado, agora prevê o desvio de apenas 26,4 metros cúbicos por segundo, o que corresponde a 1,4% da vazão do rio. Essa mudança no projeto foi apontada por Brito como uma das alterações importantes motivadas por sugestões colhidas durante um amplo processo de discussões com a sociedade.

Apesar das declarações feitas por dom Cappio, Pedro Brito disse que não recebeu no ministério nenhuma proposta de alteração do projeto. Segundo o ministro, o edital para licitação das obras civis do projeto deverá ser concluído ainda na primeira quinzena de março.