País tem mais de cem variedades

23/02/2007

País tem mais de cem variedades

Programas de melhoramento de cana tornam possível o plantio em quase todas as regiões do País

Para ultrapassar as fronteiras paulistas foi preciso muita pesquisa na adaptação de variedades às peculiaridades de cada região. 'Nos últimos onze anos liberamos mais de 80 variedades de cana em todo o País. E ainda tem muita coisa para melhorar', diz o pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas (SP), Marcos Landell.

Os programas de melhoramento de cana do Brasil são considerados os mais eficientes do mundo e poderão servir de base, inclusive, para o desenvolvimento de variedades em outros países. 'Esta tecnologia pode gerar exportação no futuro', acredita. As principais linhas de pesquisa, diz Landell, vão em busca de materiais precoces e adaptáveis às condições de clima. Buscam-se também opções com maior teor de sacarose.

Os maiores ganhos da pesquisa foram em produtividade. Em 1975, a média paulista era de 65 toneladas por hectare por safra, três cortes por ciclo. Hoje a produtividade do Estado está perto de 90 toneladas/hectare, com seis cortes por ciclo. Com a maior longevidade, a economia com a renovação é grande. Além disso, o custo de instalação do canavial, o mais alto da produção, em torno de R$ 3 mil por hectare, passou a ser diluído em seis anos e não em três como antes.

Outro avanço importante é o melhor aproveitamento. Na década de 70, uma tonelada de cana rendia em torno de 65 litros de álcool. Hoje rende perto de 90 litros. Na indústria de açúcar, a mesma tonelada passou a render 120 quilos de açúcar, contra os 90 quilos da década de 70.

As novidades no campo também geram economia para o consumidor final, que não sofre a queda de oferta de álcool na entressafra. Há alguns anos, a safra era de maio até fim de outubro. Hoje começa a ser colhida em abril e vai até o fim de novembro.

Uma das referências do setor no Brasil, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em Piracicaba, já desenvolveu 67 variedades de cana comerciais para seus 140 associados, que mantêm a entidade. A partir de 2004, o CTC também ganhou a adesão de produtores de novas fronteiras da cana, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Maranhão. 'Estamos levando para lá as melhores variedades que já foram desenvolvidas pelo centro', destaca o diretor de Pesquisa do CTC, Tadeu Andrade.

Com os programas de melhoramento, o CTC registra um ganho histórico de produtividade, em torno de 3% ao ano. 'As variedades são 30% mais produtivas que há dez anos.' No ano passado, o centro lançou quatro novas variedades (CTC 6, 7, 8 e 9), 25% mais produtivas.