Brasil produzirá vacina contra a gripe aviária

27/02/2007

Brasil produzirá vacina contra a gripe aviária

Até o final deste ano, o Instituto Butantan, zona oeste de São Paulo, já terá produzido e testado a vacina contra a gripe aviária. Daqui a 120 dias, o órgão começará a fazer os testes da vacina em voluntários.

Segundo o presidente da Fundação Butantan, Isaías Raw, o objetivo é se preparar no caso de a doença chegar ao País.

A gripe aviária é provocada pelo vírus H5N1 e já matou 157 pessoas de um total de 263 infectados em dez países. Em 90 dias, a vacina, que é produzida por um fragmento do vírus desativado da Indonésia, será testada em ratos.

Depois, os testes vão para a Holanda e, em seguida, começam em humanos. O Butantan ainda não definiu o perfil dos voluntários, mas eles terão de ser adultos saudáveis.

Uma fábrica será inaugurada em abril para a produção de vacinas contra a gripe comum. A unidade, que funcionará daqui a um ano, também produzirá a vacina contra a gripe aviária. Enquanto isso, os testes serão feitos em outro laboratório do instituto.

A fábrica que produzirá as vacinas recebeu um investimento de R$ 70 milhões, provenientes da Secretaria da Saúde e do Ministério da Saúde.

A capacidade dessa fábrica, em caso de epidemia, é de produzir 100 milhões de doses por ano ao custo de cerca de R$ 1 cada, segundo Raw. A possibilidade de a gripe aviária atingir o Brasil, no entanto, é remota, segundo o professor.

De acordo com o professor Isaías Raw, a nova cepa é quatro vezes mais eficiente que a cepa vinda do Vietnã em 2006. Com a utilização de um adjuvante, que potencializa o efeito da vacina, o número de doses por pessoa cai de oito para duas.

O centro de produção da vacina no Brasil será um dos cinco existentes no mundo. Dos outros quatro, dois ficam nos Estados Unidos, um na Inglaterra e um da Austrália. Para Raw, o Brasil tem de ter autonomia porque os demais países não terão vacinas para fornecer aos brasileiros em caso de contaminação. Para o professor, também será possível enviar doses para outros da América Latina.

FOLHAPRESS