Previsão de retomada na captura de sardinha em 2007
O esforço empreendido pelo setor pesqueiro e pelo governo federal desde 2003 para a recuperação dos estoques naturais de sardinha - principal peixe consumido no Brasil - começa a trazer resultados. A pesca da sardinha foi reiniciado no último domingo (dia 25) e a expectativa da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap) é que o volume de captura supere 60 mil toneladas neste ano, o que seria uma volta ao nível da década de 80.
A pesca predatória da sardinha nos anos 90 reduziu criticamente os estoques naturais. Em 2000, a captura foi de 17 mil toneladas, quando o consumo interno é estimado em torno de 120 mil toneladas por ano. A maioria da sardinha consumida no país é importada sobretudo de Marrocos e Estados Unidos. Nos últimos cinco anos, o governo federal estabeleceu prazos mais longos de defeso (período em que a pesca é proibida) e reduziu o número de embarcações autorizadas para a captura.
Em 2006, segundo a Seap, o volume pescado foi de 53,9 mil toneladas, ante 50,2 mil em 2005. Graças à melhora dos estoques, o governo reduziu o período de defeso no ciclo 2006/07, para 150 dias. Nos anos anteriores, o defeso durou seis meses. "Os estoques naturais de sardinha dão sinais de recuperação, o que nos leva a estimar a captura acima de 60 mil toneladas", afirma Karin Bacha, subsecretário de Desenvolvimento da Seap. Esse volume, no entanto, dependerá do efeito que o fenômeno climático El Niño sobre os cardumes.
A perspectiva de aumento da captura anima companhias do setor. A empresa familiar catarinense Femepe - terceira do setor de conservas, com 13% de participação de mercado com as marcas Ocion, Navegantes e Pescador, opera com 24 barcos próprios e espera elevar a sua participação de mercado neste ano para 20%. "O forte é a venda de sardinha nacional e os consumidores preferem o sabor da sardinha brasileira. A empresa só recorre à importação quando falta produto", diz a gerente de marketing Renata Bueno.
Empresas que têm sua produção baseada nas importações, preferem obter facilidades para a compra da sardinha no mercado externo. Um grupo de enlatadoras e pescadores fecharam acordo com Seap e Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para que as indústrias tenham alíquota zero para importar sardinha, numa medida que depende da aprovação dos demais sócios do país no Mercosul. Em troca, as indústrias comprometem-se a comprar toda a produção brasileira do peixe. Hoje vigora no país uma alíquota de importação de 10,5%. Há uma cota de 40 mil toneladas que paga tarifa de 2%.
"Para as empresas, quanto mais produção nacional houver melhor, mas também é necessário reduzir o custo de importação para que o produto chegue mais barato ao consumidor e o consumo seja estimulado", afirma José Alberto Kacelnyk, diretor de operações da Gomes da Costa, controlada pelo grupo espanhol Calvo.