Chuva compromete oferta de soja à indústria
As chuvas que atingiram as lavouras de soja da região Centro-Oeste ao longo de fevereiro trouxe dois problemas às indústrias esmagadoras: um atraso em relação à oferta prevista para o período e o excesso de umidade dos grãos, que precisa passar por um processo de secagem antes de ser esmagado - o que eleva custo e atrasa o processo produtivo. |
| Levantamento preliminar feito pela indica que a colheita no país já atinge 17% da área cultivada, sendo que o processo encontra-se em fase mais avançada no Mato Grosso (40%) e Goiás (31%). A expectativa inicial, no entanto, era que a colheita nestes Estados já estivesse superior a 50%, conforme Seneri Paludo, analista da Agência Rural. "A chuva atrasou a colheita e trouxe uma redução da produtividade no norte do Mato Grosso em relação à expectativa inicial dos produtores", afirma Paludo. A produtividade média no Estado, segundo ele, está em torno de 50 sacas por hectare, o que deve garantir uma produção próxima a 15,9 milhões de toneladas. |
| Flávio França Júnior, analista da observa que nos municípios do norte mato-grossense, como Sorriso, Lucas do Rio Verde e Ipiranga do Norte, as perdas de produtividade situam-se entre 15% e 20%. "Nas outras regiões a colheita está normal, o que não significa que também possa haver problemas futuramente", acrescenta. |
Conforme França, a soja colhida em Goiás também apresenta problemas com o excesso de umidade. "Está havendo atrasos na colheita da soja de ciclo médio e, em Goiás, houve diminuição do potencial de produtividade", afirmou. Em compensação, segundo o analista, houve melhora na produtividade nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso do Sul. |
De acordo com Renato Sayeg, analista da Tetras Corretora, um dos efeitos diretos do excesso de umidade para as indústrias é que a soja chega "ardida", ou seja, com excesso de umidade. "Essa soja leva mais tempo para ser processada, o que compromete o prazo de entrega de farelo e óleo já negociados pelas esmagadoras para entrega neste período", afirma. |
Sayeg observa que praticamente todas as indústrias já estão operando normalmente, mas que algumas enfrentam dificuldades para cumprir os compromissos fechados, principalmente de exportação. "Isso porque a expectativa inicial era que a colheita ocorresse de forma mais rápida do que está acontecendo, principalmente no Mato Grosso e em Goiás", observa o analista. |
A demora das indústrias para receber a soja em volume suficiente para atender aos contratos de exportação começa a provocar um déficit do produto no porto de Paranaguá. Conforme Sayeg, existem pedidos para exportar em torno de 1 milhão de toneladas do grão, mas os estoques no porto estão em torno de 100 mil toneladas. Por conta disso, o preço da saca subiu 10,6% neste mês, para R$ 36,50, quando o mercado previa queda em função do avanço da colheita. A alta das cotações internacionais ao longo do mês também ajudou a sustentar os preços. (CB) |