Safra de milho pode ser maior com OGM

02/03/2007

Safra de milho pode ser maior com OGM

 

A produção estimada de milho da safra 2006/07 pelo governo de 47,7 milhões de toneladas poderia ser até 13,4% maior, caso o uso comercial de variedade transgênica Yieldgard - BT, resistente a insetos fosse aprovada. A difícil aceitação da biotecnologia para essa cultura priva o produtor de reduzir gastos com aplicação de inseticidas para combater pragas comuns. E, ao mesmo tempo, de obter ganhos com produtividade em níveis difíceis de ser alcançados nas lavouras convencionais por causa do ataque de pragas. É com argumentos como esses, muitos deles contestados pelos ambientalistas, que a Monsanto, a maior empresa global de biotecnologia, com faturamento em 2005 de US$ 6,3 bilhões e 17 mil funcionários em 47 países, espera convencer a opinião pública de que oferece ao mercado um produto seguro para a saúde humana e para o meio ambiente. Seu produto está em análise há sete anos. Outras variedades, como a variedade transgênica RR para lavouras de milho tolerantes a herbicidas (tecnologia Roundup Ready) para o combate as ervas daninhas, também estão sendo submetidas à CTNBio, mas poucos avanços têm sido observados. Apenas esta semana mudou a legislação sobre o quórum mínimo para a aprovação, o que pode acelerar os processos. Mais ousados e menos cautelosos, os legisladores argentinos liberaram o uso de variedades transgênicas para o cultivo da soja e do milho no final da década passada. Os resultados alcançados são visíveis, segundo demonstrou no campo experimental da empresa, em Pergamino, a 200 km de Buenos Aires, o gerente técnico da Monsanto, Odnei Fernandes. Com o uso das tecnologias Yieldgard e RR, os agricultores vêem conseguindo ganhos de produtividade a uma taxa de 10% ao ano. A aceitação da tecnologia BT na Argentina é da ordem de 80%, de acordo com o representante da Monsanto. A produção do país é de 20 milhões de toneladas de milho, cultivado numa área de 3 milhões de hectares. Isso significa, segundo Fernandes, que em pouco mais de um terço do total da área cultivada com milho no Brasil, os argentinos conseguem produzir pouco menos da metade do que colhido nas lavouras brasileiras. Mas para a Monsanto, a demora na aprovação do seu milho transgênico representa a perda de um negócio que no Brasil seria ainda mais rentável que na Argentina. As estimativas são de uma expressiva expansão da produção de milho no próximos anos. O avanço das exportações de carnes e as excelentes perspectivas de valorização do produto por causa da demanda para biocombustíveis asseguram que um elevado retorno, caso a comercialização de sementes transgênicas de milho seja liberada. A empresa não vê possibilidade de as variedades serem aprovadas antes de meados do ano e a comercialização fique para 2009. A jornalista viajou a convite da Monsanto (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Isabel Dias de Aguiar)