Qualidade X Origem do Abacaxi
Pesquisa realizada em janeiro pelos estagiários do Centro de Qualidade em Horticultura (CQH) levantou os principais defeitos dos abacaxis das variedades “Pérola” e “Havaí” descarregados no entreposto, de acordo com suas origens. Foram entrevistados 41 permissionários de diversos pavilhões. Apenas 22% dos entrevistados trabalham com as duas variedades, 22% apenas com a variedade “Havaí” e 56% com a variedade “Pérola”. Os abacaxis da variedade “Pérola” são provenientes em sua maioria, dos estados de Tocantins, Paraíba, Pará, Minas Gerais e Bahia. Os da variedade “Havaí” dos municípios paulistas de Guaraçaí, além do estado de Minas Gerais.
O principal defeito citado é o “amassado”. Esse é um defeito pós-colheita, que tem como principais causa o transporte a granel, em condições inadequadas e enfrentando estradas precárias. Outro importante defeito citado é o “chocolate”, que pode ser causado por distúrbio fisiológico ou patógenos, dependendo de origem do fruto.
A “broca” é muito citada na variedade “Havaí”. O “chocolate”, escurecimento da polpa que passa a cor marrom, é citado nas variedades “Pérola” nos estados de Pará e Tocantins e também na variedade “Havaí” de Guaraçaí – SP, porém os motivos de ocorrência são diferentes. Nos primeiros é ocasionado por distúrbio fisiológico e no segundo por patógeno. Os frutos imaturos, caracterizados por teor de sólidos solúveis inferior a 12ºBrix, colhidos antes do ponto de maturação, são muito citados nos frutos vindos de Bauru. O defeito “passado” é citado nas variedades “Pérola” e “Havaí”, vindos de Minas Gerais e Guaraçaí, principalmente. O “pescoço”, alongamento no ápice do fruto, resultado da deformação do fruto quando em fase de desenvolvimento, é citado na variedade “Pérola” de Tocantins. E por fim o defeito de “secura da polpa”, isto é, o fruto não possui suco, é muito citado para o fruto do estado da Bahia.
Dos defeitos citados, 95,1% são considerados graves, pela norma oficial de classificação do abacaxi, do Ministério da Agricultura. A maioria desses defeitos é resultado do manejo inadequado no campo e na pós-colheita. Os resultados mostram a maior ocorrência de defeitos na variedade “Pérola”, possivelmente porque é produzida em estados distantes do entreposto e transportados a granel, submetidos a altas temperaturas por um período longo.
Artigo produzido pelos estagiários do CQH: Aline Cristina Vieira das Chagas/FCA-Unesp Botucatu, Inni Márcia Avanço Nissida/FCAV-Unesp Jaboticabal, Leonardo Marcel Hiroi/Esalq-USP e Michel Camacho Roulet/Esalq-USP.