Indústria tenta se transformar em fonte de dados e discussão
Preocupadas com as novas exigências de mercado e as implicações econômicas que elas representam, as indústrias brasileiras de grãos começam a se mover para atuar de forma mais sustentável. Em vez de vidraça, o setor quer passar a ser uma fonte de informação e discussão sobre o impacto de suas atividades, sobretudo no que diz respeito ao meio ambiente.
A primeira manifestação veio em julho do ano passado, quando os exportadores de soja assinaram uma moratória, de dois anos, na qual se comprometeram a não comprar grãos de quem estivesse desmatando a Amazônia. Agora, o setor faz os acertos finais para a criação do Instituto para o Desenvolvimento do Agronegócio Responsável (ARES), cuja sede será em São Paulo e tem inauguração prevista para até abril. "A sustentabilidade veio para ficar, é uma especificação incorporada ao produto", diz Carlo Lovatelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de óleos vegetais (Abiove).
A idéia é criar um instituto nos moldes da Ícone - consultoria em relações internacionais patrocinada pelo agronegócio - para aprofundar o debate socioambiental. "A discussão sobre sustentabilidade tem sido emocional na indústria. Falta profundidade para acabar com erros como o de que existe cana-de-açúcar na Amazônia", diz Roberto Waack, um dos cinco pesquisadores envolvidos no projeto.
Sem assumir bandeira própria, o ARES pretende fazer estudos a partir de pesquisas sobre a relação de culturas como soja, algodão e cana e o impacto real na população e no ambiente. "A barreira não-tarifária é um problema. E há coisas que não estão sendo discutidas como se deveria ", diz Waack. (BB)