Pesquisa terá investimentos de R$12 mi

06/03/2007
Pesquisa terá investimentos de R$12 mi

O governo federal, via Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), investirá este ano R$12 milhões no desenvolvimento de pesquisas voltadas para a melhoria da cafeicultura nacional. Um dos principais objetivos é elevar a produtividade média das atuais 20 sacas por hectare para perto de 30 sacas, para consolidar a liderança do ranking mundial tanto de produção quanto de exportação de café. Segundo o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Linneu da Costa Lima, o mercado é crescente e a união de todos os elos da cadeia produtiva tem feito do segmento um modelo para as demais culturas: “É mais fácil para o ministro pleitear em nome da cafeicultura como um todo”.

Ele representou o ministro Luís Carlos Guedes Pinto na abertura do 8º Simpósio Nacional do Agronegócio Café (Agrocafé), ontem de manhã em Salvador, quando frisou que a qualidade do café brasileiro passou a ser reconhecida internacionalmente justamente pelos investimentos feitos em pesquisa, beneficiando sobretudo os pequenos produtores. “O país exportou, nos quatro anos do primeiro governo Lula, 106 milhões de sacas de café, 27 milhões só no ano passado, com uma renda de US$3,3 bilhões”, calculou Linneu da Costa Lima, apostando que o café continuará sendo um bom negócio pelos próximos dez anos. Ele confia, também, na melhora dos preços no mercado internacional (a saca está em US$135), devido aos baixos estoques.

O presidente do evento, Sílvio Leite, classificou como satisfatório o apoio dados à cafeicultura tanto pelo governo federal quanto pelo estadual. Segundo ele, o principal desafio do segmento é conseguir o reconhecimento do país como fornecedor de café de alta qualidade. 

A melhoria da qualidade do café produzido na Bahia, estado que ocupa a quarta posição no ranking nacional, foi destacada pelo secretário estadual da Agricultura, Geraldo Simões, que representou o governador Jaques Wagner na abertura do Agrocafé. Ele defendeu uma posição mais agressiva em busca de novos mercados para o produto nacional e reivindicou a ampliação dos limites de crédito e custeio e a presença da Bahia no Conselho Deliberativo da Política de Café.

A cafeicultura baiana, segundo ele, tem conseguido uma produtividade média superior à nacional, de 22 sacas por hectare – no extremo sul do estado alguns produtores chegam a 34 sacas por hectare. A boa performance do café baiano, com safra 2006/2007 estimada em mais de 2,2 milhões de sacas, é fruto, segundo Simões, da distribuição da produção em três regiões com clima diversificado e dos investimentos na transferência de tecnologia para os pequenos produtores, que representam 70% do total. O coordenador do Programa Café da Seagri, Ramiro Amaral, defende a melhor exploração do potencial produtivo do estado, apontando a possibilidade de utilização de 15 a 25 mil hectares de áreas periféricas da cacauicultura para plantação de café conillon.

MÔNICA BICHARA