Projeto testa a limpeza clonal de maracujá
A Embrapa Cerrados coordenará a pesquisa “Técnicas de cultura de tecidos vegetais in vitro e ex- vitro visando a limpeza clonal do maracujazeiro (Passiflora edutis sims)”. O projeto foi aprovado no Macroprograma 3, no Sistema Embrapa de Gestão, sob a liderança da bióloga Solange Rocha M. de Andrade.
A pesquisa objetiva obter a limpeza clonal dos genitores (pais) de três espécies de maracujá que serão lançadas no segundo semestre desse ano, o BRS Gigante Amarelo, BRS Ouro Vermelho e BRS Sol do Cerrado. Segundo a pesquisadora Solange Andrade, a limpeza clonal é uma técnica de cultura de tecidos que visa a obtenção de cultivares livre de vírus. “Espera-se com a limpeza clonal melhorar a sanidade dos genitores, aumentar a capacidade de produção de sementes diminuindo o custo de produção, e, conseqüentemente, o preço das sementes para os produtores de Maracujazeiro”.
O processo de limpeza clonal já é normal para outras espécies de propagação vegetativa, como citrus, macieira, cana de açúcar e morango. Os mecanismos que explicam o processo ainda não foram elucidados, mas existem algumas hipóteses mais aceitas: 1) as células meristemáticas são muito pequenas e se multiplicam rapidamente, evitando que o vírus se multiplique dentro das mesmas; 2) o meristema não possui vascularização, sugerindo que o vírus não alcance essa região; 3) vírus não está distribuído de maneira igual por toda a planta.
Segundo Solange Andrade, “na região meristematica existe pouca possibilidade de haver vírus, separando essa região e multiplicando, seja por enxertia o por micropropagação, serão produzidas novas plantas idênticas à planta doadora, e possivelmente sem vírus”. A pesquisadora salienta que um material livre de vírus não significa que ele seja resistente ao vírus, apenas mais saudável. “Quando o material está doente a durabilidade dele no campo é menor com a limpeza clonal, os cultivares serão mais saudáveis e terão maior longevidade produzindo mais e demorando mais para o replantio.”
O projeto irá testar três metodologias: 1) aprimorar o processo de estabelecimento in vitro de ápices caulinares ou meristemas dos genitores (micropropagação); 2) micro-enxertia ex vitro; 3) enxertia de ápices caulinares dos genitores tratados por termoterapia (40-45ºC) em câmara escura. A técnica de micropropagação in vitro consistirá em introduzir o meristema apical do genitor em meio de cultura, em condições assépticas e manutenção em câmaras de crescimento até desenvolvimento de uma nova muda.
Já com a técnica de micro-enxertia ex vitro ápices caulinares contendo 1 a 2 primórdios foliares serão enxertados em porta enxertos germinados, e mantido após o enxerto, em câmaras de crescimento. Com essa técnica, já foi obtido a limpeza clonal do cultivar MAR2050 da UnB.
A terceira metodologia a ser testada será a enxertia de ápices caulinares dos genitores submetido à termoterapia, isso é, os genitores serão submetidos à 40-45oC e baixa luminosidade e seus ápices caulinares serão enxertados nos porta-enxertos. A hipótese é que haverá menor produção de inóculo, pois nessas condições o vírus possivelmente irá se multiplicar em baixa velocidade devido a alta temperatura e do crescimento rápido da planta, evitando a contaminação do ápice caulinar.
Os genitores, após o processo de limpeza clonal, serão indexados por ELISA e RT-PCR, e transferidos para o viveiro contendo tela antiafídica, para evitar contaminação por insetos e afídeos, onde permanecerão para produzir sementes das cultivares BRS Gigante Amarelo, BRS Ouro Vermelho e BRS Sol do Cerrado. O projeto irá testar a limpeza clonal dos seis genitores das espécies citadas acima que serão lançadas ainda esse ano.
O principal alvo da limpeza clonal é o vírus do endurecimento do fruto, que causa o enrugamento da folha dificultando a fotossíntese, conseqüentemente a planta não cresce e produz pouca fruta e semente, além disso o fruto fica com aspecto desagradável endurecido e com verrugas. Essa virose está disseminada por todas as áreas de plantio nacional e causando danos quantitativos e qualitativos da produção.
O projeto tem duração de 24 meses e conta a parceria da Universidade de Brasília (UnB), Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Embrapa Mandioca e Fruticultura (CNPMF). A longo prazo, o intuito é dominar a tecnologia e transferi-la para todo o germoplasma de maracujá da Embrapa Cerrados e parceiros.
Informações adicionais: Embrapa Cerrados – (61) 3388-9953 ou www.cpac.embrapa.br
Data Edição: 07/03/07
Fonte: Grupo Cultivar