Tarifação do etanol é tema para depois

08/03/2007

Tarifação do etanol é tema para depois

A aspiração do governo Lula de aproveitar a visita de Bush para emplacar uma redução tarifária na exportação de álcool etanol para os Estados Unidos não vai vingar, de acordo com declarações do próprio presidente norte-americano, que admitiu esta semana a jornalistas latino-americanos que seu país está cada vez mais protecionista. E essa decisão teria que ser tomada pelo congresso daquele país. “Bush tem minoria e não conseguiria aprovar uma mudança dessas”, lembra o professor de história Moniz Bandeira.

De qualquer forma, o tema mobiliza o empresariado brasileiro, que sonha com a perspectiva de aumentar, futuramente, a exportação de etanol. “Seria a primeira vez que haveria transferência de tecnologia de um país em desenvolvimento para um país rico”, assinala o professor Gunther Dudzit.

Juntos, Brasil e Estados Unidos produzem cerca de 70% do etanol disponível no mundo. Mas a produção norte-americana é feita a partir do milho, uma fórmula mais cara do que a brasileira, baseada na cana-de-açúcar.

Os Estados Unidos querem que o Brasil venda sua tecnologia para a produção de etanol a partir da cana a países da América Central, que têm maior acesso ao mercado dos Estados Unidos.

COMÉRCIO – Os sete mil empresários que têm negócios com os Estados Unidos filiados à Câmara Americana de Comércio (Amcham), com sede em São Paulo, esperam que o encontro do presidente George W. Bush com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amanhã, em São Paulo, sirva para descongestionar as relações comerciais entre os dois países e com isso as exportações brasileiras para os Estados Unidos possam crescer. Afinal, o volume de exportações brasileiras para os EUA é o mesmo dos últimos dez anos (em torno de US$ 26 bilhões), em conseqüência de o Brasil ter privilegiado mais o relacionamento com o eixo Sul-Sul (os países do terceiro mundo) do que com os americanos. Com um pouco de esforço diplomático e relacionamento comercial bilateral, avaliam os empresários, o Brasil poderia exportar mais para lá.