Bombas matam peixes em Cabuçu
Infratores da lei de crimes ambientais causaram a morte de milhares de peixes no litoral do município de Saubara, pelo uso de explosivos na pesca. Arrastados pela maré, xangós, carapebas e até xaréus estão sendo retirados numa extensão de mais de três quilômetros da Praia de Cabuçu, desde quarta-feira, pelos funcionários da Prefeitura de Saubara, a 100 km de Salvador, na borda sudeste da Baía de Todos os Santos.
O crime foi presenciado da praia por muitas pessoas do lugar, inclusive pela delegada de polícia, Sônia Maria Reuter, que tem residência naquela praia. Ela disse que não pôde prender os criminosos porque não tinha embarcação para chegar até o local onde eles estavam.
“Não temos nem viatura, quanto mais uma embarcação”, disse, alegando ter sofrido alta de pressão arterial pela frustração causada pela impotência em agir.
A delegada também alegou dificuldade de comunicação com os órgãos ambientais, que só foram avisados, ontem, pela promotora de Santo Amaro. “Os números de telefone fornecidos pelo serviço de informação (102) não atendiam”, informou. Contando com um único policial para o atendimento de plantão, a delegacia teve que ser fechada quando finalmente foi conseguida a viatura da Polícia Militar de Saubara. Mas, ao verem os policiais na praia, os criminosos arrancaram com suas canoas de fibra motorizadas.
Todos afirmavam serem os infratores das localidades de Salinas e Conceição de Salinas. “Os maiores bombeiros são de lá”, disse o pescador nativo, José Gonçalves, 47 anos, que também é caseiro de uma das casas da Praia de Oxóssi, vizinha da de dona Canô, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia.
Na quarta-feira, ele e muitos viram quando foram detonadas três bombas por volta das 10 horas.
“Para pegar eles tem que vim de barco e bem cedo”, recomendou, enquanto mostrava um xaréu de mais de seis quilos que os “bombistas” deixaram pra trás quando fugiram.
A maioria dos peixes mortos é de xangó e carapebas. Como são pequenos, não interessam aos criminosos que preferem levar os maiores, como xaréus e robalos que são atraídos pelos cardumes dos pequenos. “Esse desperdício todo vai fazer falta para a comunidade”, dizia o aposentado Edivaldo de Santana, 66 anos ao passar pela Praia da Poça, tomada de peixinhos.
O administrador distrital de Cabaçu, Valmir da Silva, 51 anos, destacou que os xangós são comercializados depois de salgados e secos ao sol. “A maioria, aqui, vive da venda do xangó”, disse.
SOBREVÔO – Um helicóptero da Polícia Militar foi usado em um sobrevôo no local da ocorrência, ontem, mas chegou tarde. Por volta das 13h15, quando sobrevôou a área não encontrou mais ninguém, segundo informou o major Claudeci Vieira dos Santos. Ele disse que houve falta de comunicação dos órgãos locais de Saubara.
“Nossa estrutura somente pode ser acionada a partir do registro de uma queixa”, disse, destacando que isso pode ser feito pelo telefone direto da Companhia de Polícia Ambiental (Copa) 3116-9151, pelo do Ibama (3172.1650), pelo 190 ou pelo disque-denúncia da Secretaria Estadual de Segurança Pública, que atende pelo 3235.0000.
O major coordena as ações de campo da Operação Carapeba que, de acordo com o superintende do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Célio Costa Pinto, reúne 11 órgãos para o combate à pesca predatória com utilização de explosivos na Baía de Todos os Santos, região do Recônvaco baiano e Ilha de Itaparica. Na ilha, 30 policiais fazem patrulhamento diário. Claudeci informou que na próxima terça-feira irá a Saubara reunir-se com o secretário municipal de Meio Ambiente.
MAIZA DE ANDRADE