Etanol brasileiro está no centro dos acordos entre Brasil e EUA
A criação de um programa de cooperação entre Brasil e Estados Unidos para ampliar a produção de álcool combustível será o primeiro tema da agenda do presidente George W. Bush no País. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bush visita hoje cedo um terminal da Petrobras Distribuidora em Guarulhos (região metropolitana de São Paulo).
Pela programação conhecida até ontem à noite, este deverá ser o único compromisso do presidente norte-americano fora do hotel onde está hospedado com toda sua comitiva na zona sul da capital paulista.
Bush vai percorrer uma exposição sobre o processo de produção de álcool combustível a partir da cana-de-açúcar. Ele também deve vistoriar quatro modelos de veículos movidos a álcool: um Vectra e uma picape S10, ambos fabricados pela General Motors, e um Fiesta e um Eco Sport, da Ford.
A expectativa é que a visita de Bush marque o início de uma aliança entre Brasil e EUA – responsáveis pela produção de mais de 70% do etanol no mundo – para incentivar o uso do álcool combustível.
INVESTIMENTOS – Os produtores brasileiros são mais eficientes na produção: sem subsídios, precisam investir US$ 0,28 para produzir um litro de etanol. Mas falta capital para a ampliação das usinas, recursos que poderiam vir de parceiros norte-americanos. Já o presidente Bush lançou no início do ano um projeto para substituir até 20% do consumo de gasolina por álcool até 2017.
Os produtores norte-americanos, que usam o milho como matéria-prima, têm de desembolsar até US$ 0,45 para produzir um litro do combustível. Contam, ainda, com proteção contra o álcool importado do Brasil – que sofre sobretaxa de R$ 0,18 por litro.
Apesar dos pedidos já feitos pelo governo brasileiro, esta sobretaxa não deverá ser retirada. O governo norte-americano argumenta que esta decisão caberia apenas ao Congresso do país.
Hoje, entidades empresariais tentarão entregar uma sugestão de agenda de acordos bilaterais entre EUA e Brasil aos presidentes George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva.
Estabelecer uma parceria entre os dois países para o desenvolvimento tecnológico do biocombustível é o ponto principal do documento, segundo Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro).
O documento é também assinado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e outras entidades. A expectativa de entregar a agenda diretamente a Bush foi frustrada pelo esquema de segurança do americano. O provável, segundo a Fiesp, é que ela seja entregue à ministra do Comércio Exterior dos EUA, Susan Schwab. No documento, as entidades pedem também a discussão da bitributação de alguns produtos e afirmam que a cooperação bilateral Brasil-EUA tem sido insuficiente.
COOPERAÇÃO – Além de acertos na área comercial, Brasil e Estados Unidos vão assinar um acordo de comprometimento bilateral, durante a visita de Bush ao Brasil, voltado para o fortalecimento da democracia em países de terceiro mundo.