Simpósio deixa animados produtores baianos de café

12/03/2007

Simpósio deixa animados produtores baianos de café

Plantar café na Bahia ainda é um bom negócio (em 2006, o Brasil exportou 27 milhões de sacas, das quais, 1 milhão saiu da Bahia). Pelo menos, acreditam os produtores que estiveram reunidos em Salvador, durante o Simpósio Nacional do Agronegócio Café, que aconteceu entre os dias 5 e 7 de março no Hotel Pestana.
O encontro, que reuniu pequenos, médios e grandes produtores, além de agrônomos, exportadores e empresários da indústria de café, debateu diversos aspectos importantes da cafeicultura nacional, a exemplo da recuperação da renda do produtor.
Apesar de considerarem que o preço da saca está em um patamar satisfatório (US$ 124), os produtores se queixam da alta valorização do real, o que está dificultando, na sua sua avaliação, a lucratividade, especialmente para os pequenos produtores que não estariam conseguindo arcar com os altos custos financeiros de produção.
“A cultura do café requer investimentos muito altos nas áreas de pesquisa e mecanização e os pequenos produtores têm encontrado dificuldades para investir na tecnologia adequada para manter a qualidade do grão”, explicou para A TARDE Rural o produtor Gianno Brito, de Vitória da Conquista, município produtor de café.
E esta qualidade, conforme assegurou, é a marca registrada do café produzido na Bahia. “Embora não sejamos os primeiros em quantidade, o somos em qualidade, pois produzimos o melhor café do Brasil, na avaliação de especialistas nacionais e estrangeiros”, disse Gianno Brito.
O café produzido nos municípios de Vitória da Conquista, Barra do Choça, Piatã e Ibicoara, considerado o melhor do Estado, já conquistou prêmios nacionais. Manter esta qualidade é uma das preocupações da Associação dos Produtores Produtores de Café (Assocafé), que tem promovido discussões para difundir as novas práticas agrícolas e incentivar os produtores baianos a investirem na mecanização.
“Queremos mostrar também para as autoridades federais a necessidade de continuarmos recebendo os incentivos para a melhoria da nossa cafeicultura”, defendeu o presidente da Assocafé.
Estes incentivos, na opinião do produtor João Lopes, são fundamentais para que os produtores, especialmente os pequenos, invistam em soluções para melhorar a qualidade dos grãos. Uma das mais importantes é, na sua avaliação, a irrigação. “Sugerimos sempre aos produtores que, se só possuem água para irrigar cinco mil pés, que o façam mesmo que seja apenas nesta área”, comentou.
A orientação, especialmente, é para produtores da região oeste, que vêm investindo no cultivo do café (veja matéria na página 7). Para o gerente-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Gabriel Bartholo, não basta terra irrigada. “Importante saber manejá-la”, adverte.