Lula confirma proposta brasileira para destravar a Rodada de Doha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ontem a proposta do governo brasileiro de redução das barreiras ao comércio internacional em função da condição econômica de cada país. Antecipado por este jornal na sexta-feira, o plano para destravar a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê, por exemplo, que os cortes de subsídios agrícolas deverão ser mais expressivos para beneficiar os países mais pobres.
Em contrapartida, quanto mais forte a economia, menor será a concessão. "Estamos dispostos a fazer a nossa parte, levando em conta a propor-cionalidade e a riqueza de cada país, disse Lula, ontem, em seu programa semanal de rádio "Café com o Presidente". "Um pouco de concessão é que vai garantir o acordo que todos estamos torcendo para que aconteça, porque seria a salvação dos países mais pobres", declarou Lula.
Três dias depois de receber a visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, Lula declarou que considerar "irreversível" a transformação do álcool em uma commodity, tal qual foi defendido pelo governo brasileiro.
"Na medida em que o álcool começa a ganhar corpo e ser misturado na gasolina, e os países do mundo inteiro começam a se preocupar em diminuir a emissão de gás carbônico, significa que logo, logo, o álcool vai ter um preço internacional. Portanto, vai ser commodity.
Suprimento
Segundo o presidente, o crescimento do plantio de cana-de-açúcar, necessário para garantir o suprimento de álcool nos mercados brasileiro e internacional, não terá como conseqüência o aumento de áreas desmatadas nem prejudicará o cultivo de alimentos. O etanol e outros combustíveis alternativos, como o biodiesel, voltarão à pauta de negociação dos dois presidentes no próximo dia 31, durante a visita de Lula aos Estados Unidos.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9)(Karla Correia)