Porto de Salvador terá plano contra gripe aviária

13/03/2007

Porto de Salvador terá plano contra gripe aviária

O Porto de Salvador está entre os 10 principais portos do País que irá integrar o plano nacional de ação preventiva para a contenção de uma eventual pandemia da gripe aviária. Embora o Brasil não tenha registrado até hoje nenhum caso, o governo decidiu se preparar para evitar que o vírus, que já matou centenas de pessoas na Ásia e na África, entre no país.

Ontem, representantes do Ministério dos Transportes (MT), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e das agências nacionais de Transportes Aquaviários (Antac) e de Vigilância Sanitária (Anvisa) se reuniram com a direção da Codeba (Companhia de Docas do Estado da Bahia) para discutirem o plano nacional que irá nortear as ações que serão implantadas nos portos brasileiros, especialmente no de Salvador.

O plano consiste na adoção de estratégias de prevenção e na reordenação da estrutura física dos portos que deverão sofrer algumas intervenções para a instalação dos equipamentos que irão auxiliar no controle das embarcações que atracarem na capital baiana. Além disso, o projeto prevê a preparação da rede de saúde de cada uma das cidades onde os portos estão instalados para atender eventuais casos ou suspeitos.

O Porto de Salvador deverá ganhar uma área específica para o embarque e desembarque dos passageiros, além de equipamentos para a esterilização de cargas e para tratamento dos resíduos sólidos.

O diretor de infra-estrutura e gestão da Codeba, José Fidélis Sarno, diz que a Bahia recebe um grande número de embarcações e por isso é preciso adotar medidas preventivas para evitar situações que venham colocar em risco a saúde da população.

“Estamos entusiasmados com o projeto porque poderemos, a partir da implantação deste projeto, ter um maior controle inclusive, da tripulação dos navios que atracam no Porto de Salvador“, comemora.

Sarno informa que o fluxo de pessoas nas embarcações é muito grande e por isso é preciso que haja um controle maior para evitar surpresas.

A vulnerabilidade nesta área é também uma preocupação do gerente de meio-ambiente da Antac, Marcos Maia Porto. Para ele, o Brasil está saindo na frente. “Antac irá integrar a equipe do projeto e irá auxiliar no suporte logístico necessário para sua implantação“, informa Porto.

O projeto, que já está sendo implantado nos portos de Santos (SP), Vitória (ES) e Paranaguá (PR), está sendo elaborado pelo Ministério dos Transportes em parceria com a Unifesp, através do Núcleo de Administração em Saúde (NAS). Esta primeira etapa do projeto, que deverá contemplar ainda os portos de São Francisco do Sul (SC), Rio Grande (RS), Belém (PA), Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ) e Recife (PE) deverá estar concluída nos próximos 30 dias, segundo informou o diretor do NAS, Samuel G oihman.

“Estamos construindo um plano específico para cada porto. Cada um tem uma estrutura e uma realidade diferentes. Isto significa que teremos que elaborar 10 planos“, explica. Com relação a Salvador, Goihman defende que será necessário promover uma reorganização no porto baiano.

Serão investidos R$ 20 milhões nos 10 portos, segundo informou o representante do MT e responsável pelo projeto , Antônio Maurício Ferreira. “A expectativa é que o custo total do projeto, incluindo o que será investido pela Marinha do Brasil, chegue próximo ao montante de R$ 300 milhões“.

Doença já matou 167 pessoas no mundo

Primeiro foi a gripe espanhola, que matou mais de 40 milhões de pessoas no começo do século passado. Depois veio a gripe asiática que atingiu mais quatro milhões e em seguida a gripe de Hong Kong. A trajetória do vírus infleunza, mais conhecido como gripe, não parou por aí. No final do século passado, a possibilidade de uma nova pandemia vinda da Ásia voltou a assustar a humanidade: a gripe aviár ia.

O vírus influenza, segundo a médica sanitarista da Unifesp, Vera Maria Neder Galesi é uma doença que ataca as vias respiratórias e tem como sintomas a febre, dores no corpo e calafrios. Classificados como A e B, Galesi explica que somente o primeiro sofre elevada proporção de mutações e pode causar pandemias. ”É o H5NI, causado por surtos entre as aves com transmissão para os humanos”, explica.

Segundo a especialista, este vírus continua evoluindo e aumentou a variedade de hospedeiros aves e a capacidade de infectar felídeos (mamíferos carnivoros). ”O mais grave é que este vírus vem aumentando a sua estabilidade ambiental”, diz.

Nos últimos anos, a Organização Mundial de Saúde registrou 277 casos. Destes, 167 morreram

RONALDO JACOBINA