Famílias começam a retomar rotina após baixa do Velho Chico

14/03/2007

Famílias começam a retomar rotina após baixa do Velho Chico

 

Os municípios atingidos pela cheia do Rio São Francisco iniciam agora uma nova luta pela sobrevivência. A baixa do nível das águas nas comunidades atingidas pela enchente representa um alívio, mas também o desafio do recomeço para as milhares de famílias que tiveram suas lavouras e casas destruídas. No município de Malhada, um dos mais atingidos pela enchente, o nível do Velho Chico baixou 3m nos últimos 15 dias e atingiu ontem 4.5m acima do normal.

Segundo o secretário de Agricultura do município, José Castor, a maioria das famílias que moram nas ilhas encobertas pelas águas, como a de Melancias e do Escuro, já retornou às suas casas. Apenas cerca de cem famílias continuam desabrigadas em casa de parentes e em barracos montados nas partes mais altas do município.

A expectativa agora é pelo início do plantio à beira do rio, quando o nível do São Francisco já estiver normalizado. Para isso, a prefeitura de Malhada já solicitou ao governo do estado, através da Secretaria de Agricultura, cerca de 15 toneladas de sementes de milho e feijão para serem distribuídas entre 300 famílias de agricultores.

“Podemos dizer que hoje a nossa situação está controlada. Se o nível do rio continuar baixando nesse ritmo, em breve poderemos retomar nossas atividades”, afirmou o secretário. O nível da água que encobria a BR-030, principal via de acesso de Malhada ao município de Guanambi, baixou e a rodovia já está na fase de conclusão de recuperação dos seus 13kms destruídos. As obras foram realizadas pelo governo federal que dispensou processo de licitação, já que o município se encontra em situação de emergência. José Castor afirmou ainda que já solicitou do governo federal recursos para obras de reforma de 300 casas que foram danificadas e de outras 80 que foram totalmente destruídas pela enchente.

Já no município de Ibotirama, a situação ainda está indefinida. Lá, o nível do Velho Chico baixa lentamente. Nos últimos cinco dias, o nível do rio baixou apenas 60cm e as cerca de 1.400 famílias desabrigadas ainda não tiveram condições de voltar para suas casas. O prefeito de Ibotirama, Wilson de Oliveira, afirma que já entrou em contato com o governo estadual para solicitar a distribuição de sementes para cerca de 1.300 famílias de agricultores. Ele acredita que o plantio só deve ser iniciado a partir de maio.

Preocupação - Outro problema enfrentado é a falta de recursos municipais para recuperação das estradas vicinais, que garantem o acesso das comunidades dentro do próprio município. “São cerca de 60km totalmente detonados e a prefeitura não tem condições de realizar essas obras. O efeito pós-cheia é pior. É a nossa grande preocupação, pois o sofrimento é ainda maior. Estamos sem infra-estrutura, sem casas e sem sementes. Esperamos que o governo do estado nos sinalize, o quanto antes, com essa ajuda”, afirmou.

O rastro de destruição deixado pela enchente também está preocupando a prefeitura de Barra. O nível do Rio São Francisco, que só subia nos últimos dias, baixou ontem 2cm, atingindo 6.73m acima do normal. A expectativa dos agricultores para o início do plantio também é grande, segundo o prefeito Dionísio Ferreira. As sementes também já foram solicitadas para o governo estadual, mas as atividades só devem ser retomadas em maio.

A rodovia BA-143, que liga o município a Xique-xique, ainda está com o nível de água elevado e as obras de recuperação dos 12km destruídos não puderam ser iniciadas. Segundo a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, técnicos estão realizando levantamento em todos municípios que tiveram decretadas situação de emergência para traçar um plano estratégico de apoio, em conjunto com a Secretaria de Agricultura (Seagri). A reportagem entrou em contato com a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (Ebda), órgão vinculado à Seagri, mas o expediente já tinha sido encerrado.