Mortandade de peixes
em Cabuçu é monitorada
Técnicos do CRA estão na região analisando detalhadamente a situação
Centro de Recursos Ambientais (CRA) continua com equipes da Diretoria de Fiscalização e Monitoramento Ambiental em Cabuçu, no recôncavo baiano. Na manhã de segunda-feira, o técnico do CRA Jorge Salomão, acompanhado de analistas do Cetind/Senai, recolheu amostras dos peixes mortos e da água do mar para verificar se, além da mortandade devido aos explosivos, algum resíduo químico vem causando o problema.
No fim de semana, aconteceu a prisão de um pescador pela Polícia Civil e apreensão dos explosivos que ele portava. As equipes do CRA também permanecem no local e monitoram resíduos provenientes de uma fábrica de papel que existe na região, assim como dos criatórios de carcinicultura, dos manguezais das cercanias e do gasoduto da Petrobras.
Segundo a coordenadora de Fiscalização, Carla Fabíola, o fato de ainda aparecerem peixes mortos e a prática da pesca de bomba estar sob controle policial podem indicar que outros motivos também causaram o acidente ambiental.
Em ação conjunta com a Delegacia de Saubara, fiscais de plantão do CRA estão desde a tarde da última quinta-feira em Cabuçu. Depois de rondas no mar, na sexta-feira passada, sete embarcações foram apreendidas e 24 pescadores detidos para averiguação, sob suspeita de terem dizimado milhares de peixes com explosivos.
Logo que a denúncia chegou ao CRA, na tarde do dia 8, duas equipes do Plantão de Emergência do órgão se deslocaram para vistoriar a área, atendendo aos apelos dos moradores, que não estavam suportando o mau cheiro, devido à grande quantidade de peixes mortos.
Eles começaram a aparecer nas praias no último dia 6 e grande parte das espécies estava sendo enterrada pelos moradores da comunidade por causa do mau cheiro.
Pesca com bomba
As operações de campo, acompanhadas pelo químico Marco Antônio e em Salvador pela bióloga Carla Fabíola, identificaram em uma área de cerca de 4 quilômetros de praia milhares de espécies mortas de xangó, xaréu, robalo, tainha e carapeba, devido à intensidade da pesca com bomba.
A ação criminosa está sujeita a sanções impostas pelo Ibama, CRA, Companhia de Polícia de Proteção Ambiental e Polícia Civil. O CRA ainda articulou a Capitania dos Portos sobre as irregularidades.
Os moradores de Cabuçu e Saubara denunciam que os pescadores que cometeram este crime ambiental são do município de Salinas da Margarida, das localidades de Barra do Paraguaçu, São Roque e Encarnação. Segundo eles, práticas criminosas dessa natureza aumentam devido à proximidade da Semana Santa.
A equipe do Plantão Ambiental do CRA pode ser solicitada pelo 0800-711400.