Cresce número de certificações

15/03/2007

Cresce número de certificações

Produtores adaptam-se às normas dos importadores e País já abate, ao ano, 34 milhões de bovinos rastreados

Uma das solicitações antigas dos importadores de carne, a rastreabilidade bovina, culminou com a criação, pelo Ministério da Agricultura, do Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov), agora com novas regras. Os pecuaristas brasileiros, porém, estão buscando protocolos como o EurepGap, exigido por grandes redes de varejo da Europa, e certificações que abrem portas para nichos de mercados, como a orgânica e o plasmon (carnes para o preparo de alimento infantil).

'O Sisbov é uma espécie de vestibular para a maioria dos mercados para os quais o Brasil exporta carne bovina', define Eduardo Krisztan Pedroso, do Independência Alimentos. 'Para manter as exportações, os frigoríficos devem garantir a integridade do processo, checar o número do brinco com as informações do Documento de Identificação Animal e da Guia de Trânsito Animal.'

Segundo o diretor Operacional da Brasil Certificação e presidente da Associação das Empresas de Rastreabilidade e Certificação Agropecuária, Vantuil Carneiro Sobrinho, a demanda por certificação tem aumentado no mundo. Os motivos, explica, foram os casos da doença da vaca louca e as contaminações alimentares na Europa, por dioxina, e de hambúrgueres por bactérias nos Estados Unidos, que causaram mortes. 'Em decorrência disso, há quatro anos a União Européia passou a exigir dos fornecedores informações sobre a origem dos animais, desde o sistema de criação até o pós-abate', diz.

'A adesão ainda é tímida, porque o volume exportado é pequeno', diz Sobrinho. Porém, com as exigências, cerca de 34 milhões de bovinos abatidos no País passaram a ser rastreados. 'Com a rastreabilidade, consumidores brasileiros e estrangeiros têm segurança com relação à origem do alimento, até porque a maioria da carne rastreada (dianteiros) fica no Brasil.'

A Fazenda Cachoeira, em Tangará da Serra (MT), tem o seu rebanho rastreado pelo Sisbov e desde 2004 e recebeu certificação EurepGap. Segundo o dono da fazenda, Waldir Martinez, que cria nelore comercial, o frigorífico solicitou à fazenda a adequação às normas do protocolo europeu para continuar exportando. Ele recebe 3% de bonificação sobre a arroba e abate cerca de 3.000 bois por ano.

Outro criatório de Tangará da Serra que conquistou o EurepGap foi a Fazenda Santa Amália do Tangará, de José Renato Meirelles. A propriedade já tinha seus animais rastreados pelo Sisbov há cerca de 4 anos e, a partir de janeiro, adequou-se ao novo Sisbov. Em fevereiro conquistou o EurepGap. 'Ao contrário do Sisbov, que penaliza em 3% o gado não rastreado, o EurepGap dá uma bonificação de 3% sobre o gado produzido em fazendas certificadas. Fez o primeiro abate em fevereiro e recebeu a bonificação, mas garante que 3% é um valor que meramente cobre os custos do protocolo. 'O frigorífico tem um baita retorno, mas repassa uma pequena parcela para o produtor', reclama Meirelles.