Integração: plantio direto é aliado

15/03/2007

Integração: plantio direto é aliado

Adoção da técnica no sistema integrado melhora as condições do solo e beneficia lavoura e rebanho

Para o pecuarista ou agricultor que já faça ou pense em adotar a integração lavoura-pecuária, fica a dica: o sistema de plantio direto é um eficiente aliado para lucrar com as duas atividades de maneira sustentável. Teoricamente, a técnica faz parte do manejo intensivo que a integração exige e é tão importante quanto a adubação racional baseada em análise de solo, o planejamento forrageiro anual e o controle zootécnico rigoroso.

'Hoje, associar a integração lavoura-pecuária ao plantio direto é perfeitamente viável e recomendável, desde que o rebanho e a lavoura sejam conduzidos de forma adequada', afirma o engenheiro agrônomo Dirceu Gassen, diretor-técnico da Cooperativa dos Agricultores de Plantio Direto (Cooplantio). 'O ciclo do crescimento da integração envolve aumentar a quantidade de matéria orgânica para elevar a nutrição do solo, que irá interferir diretamente na produção de carne e de grãos.'

EQUILÍBRIO

Segundo Gassen, havia a preocupação com a compactação do solo pelo pisoteio do gado, mas hoje não existe mais esse risco. 'A vantagem do plantio direto é a formação de um 'colchão' de palha, que protege o solo', explica. Além disso, diz, na integração o adubo é distribuído, racionalmente, entre lavoura e pasto, o que ajuda a produzir uma forrageira de boa qualidade e em maior quantidade. 'Com isso, o gado caminha menos em busca de alimento, o que reduz o risco de compactação', diz.

Por outro lado, acrescenta Gassen, o produtor não deve exceder o número de animais na pastagem por causa da abundância de alimento. 'O ideal é deixar sobrar comida para garantir a eficiência do sistema integrado, que tem a premissa de alimentar o rebanho, bem, o ano inteiro.'

O pesquisador Miguel Marques Gontijo Neto, da Embrapa Milho e Sorgo, diz que na integração, com a introdução de capins em determinados períodos nas áreas de lavoura, tem-se a produção de excelente palhada (quantidade e qualidade) para a realização do plantio direto na palha. 'A técnica possibilita a redução de custos com operações mecanizadas e defensivos químicos, eleva o teor de matéria orgânica no solo e mantém a terra com cobertura vegetal o ano todo, protegendo-a da erosão', cita. Além da palha de milho, podem ser aproveitadas sobras de pastos, milheto, aveia e nabo forrageiro.

EXPERIÊNCIA

O produtor Guerino Alves Marinho, da Fazenda Capão Palmital, no município mineiro de Papagaios, conta que adotou o plantio direto na integração e teve ótimos resultados. Em 120 hectares, Marinho mantém um rebanho de 80 cabeças, entre vacas leiteiras e novilhas, e produz milho para silagem. E afirma que a técnica melhorou a produtividade do grão: este ano colheu 58 toneladas de milho/hectare, ante 40 t/ha no ano passado. 'Com a cobertura de braquiária colhi mais, a silagem ficou mais barata e a pastagem, protegida contra enxurradas', conta ele, que também faz curvas de nível e barraginhas contra a erosão.

O próximo passo, diz, é colocar as vacas na área do milho e plantar a próxima safra do grão na área de pastagem. 'Faço correção de solo e adubo na medida certa. Por isso, ambos encontrarão áreas bem conservadas', garante.

'A rotação é indicada porque serve para reformar a pastagem e, assim, garantir alimento de boa qualidade ao rebanho na seca. O objetivo é que as duas atividades produzam bem', fala o técnico agropecuário Fábio Alves de Morais, da Emater-MG, que presta assistência técnica ao produtor Marinho.

INFORMAÇÕES: Cooplantio, tel. (0--51) 3481-3333; Embrapa, tel. (0--31) 3779-1000; Emater, tel. (0--31) 3349-8000