Certificação abre mercado externo para fruticultura do extremo sul
Recentemente, áreas de produção de mamão do extremo sul da Bahia foram certificadas pelos sistemas de Produção Integrada de Frutas (protocolo brasileiro) e EurepGap (protocolo europeu), duas destacadas formas de certificação.
As áreas estão situadas nas fazendas Guaíra (Prado), Gondo (Nova Viçosa) e Nova Estrela e Bello Fruit (Mucuri). Nesta última, o packing house (casa de embalagem) também foi certificado.
Segundo o coordenador do projeto de Produção Integrada de Mamão, o pesquisador Jailson Lopes Cruz, da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, em Cruz das Almas, esses resultados são altamente relevantes para a fruticultura brasileira porque podem ajudar a dinamizar as exportações e a gerar emprego e renda na região.
"O programa de Produção Integrada de Frutas (PIF) foi concebido como prioridade estratégica do Ministério da Agricultura, que estabeleceu como objetivo principal elevar os padrões de qualidade e competitividade da fruticultura brasileira ao patamar de excelência requerido pelo mercado internacional.
Os resultados obtidos no extremo sul indicam que os produtores que aderiram ao programa estão no caminho correto", disse ele para A TARDE Rural.
Todo o processo de produção integrada tem como foco minimizar perigos que ameacem o meio ambiente e a segurança alimentar.
Com a certificação, o consumidor pode ter acesso a frutos de mamoeiros de qualidade, com níveis de resíduo bem abaixo dos limites máximos permitidos pelas legislações brasileira e européia.
Os frutos oriundos da PIF são produzidos com base na utilização de boas práticas agrícolas (BPAs) e observação ao ambiente, com níveis mínimos de degradação do solo e de contaminação da água.
Também, podem ser rastreados, ou seja, o consumidor tem conhecimento do produto, desde o plantio até o empacotamento. Segundo explicações do pesquisador da Embrapa, para receber a certificação, os produtores participaram de diversos treinamentos.
PREPARAÇÃO – Entre os mais expressivos estão os cursos de conteúdo das normas técnicas específicas para a cultura do mamoeiro, de preenchimento de cadernetas de campo, para fins de rastreabilidade do itinerário técnico, de regulagem e aferição de máquinas aplicadoras de insumos, de operação de máquinas e aplicação de defensivos, equipamentos de proteção individual, armazenamento, embalagem de agrotóxicos.
Também, cursos de manejo de pragas e doenças, de formação de pragueiros e colheita e pós-colheita do fruto, de boas práticas agrícolas (produção de mudas, manejo físico do solo, plantio e práticas culturais, manejo da irrigação, manejo da fertilização, controle do mato), saúde, segurança no trabalho e primeiros socorros, de educação ambiental e planejamento ambiental, avaliação de riscos e cursos de auditorias.
"No âmbito do projeto de Produção Integrada de Mamão foi possível difundir, junto aos agentes da cadeia do agronegócio do mamão, um conjunto de métodos e processos de produção, com visão integrada – tecnicamente mais eficientes e poupadores de insumos –, visando ao aumento da produtividade, à melhoria da qualidade e à sustentabilidade da atividade", explica Jailson.
O programa também buscou minimizar problemas de solução de continuidade. Nesse sentido, houve um forte investimento na formação dos recursos humanos das instituições participantes. "A Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, a Adab e a EBDA apresentam contingente de pessoal capacitado para orientar o fruticultor do Estado que opte por implementar um programa de melhoria da qualidade na propriedade e queira atender a qualquer sistema de certificação”, disse o pesquisador.