Parmalat quer fim de intervenção em unidade do RJ
A Parmalat Brasil concede, a partir de hoje, dez dias de férias coletivas aos 230 funcionários da unidade de Itaperuna (RJ), como tentativa de acelerar as negociações com o governo do Rio de Janeiro para pôr fim ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado entre as duas partes em agosto de 2004. O acordo, assinado no período de crise da empresa, foi uma condição imposta para que o governo suspendesse o processo de intervenção na fábrica.
Othniel Rodrigues Lopes, diretor-superintendente da Parmalat Brasil, argumentou que o TAC impõe à empresa mecanismos que impedem a unidade de operar normalmente e fazer novos aportes. "Já conversamos com o governo, que está de acordo em eliminar o TAC. Precisamos de uma decisão rápida porque há interesse em investir no Estado. Se não for em Itaperuna, será em outro município".
Recentemente, a empresa entrou com uma petição na Vara Cível de Itaperuna para suspender o efeito do TAC, tendo como argumento o fato de a Parmalat Brasil já ter quitado as dívidas que tinha com fornecedores e funcionários - fator que motivou a intervenção. Conforme Lopes, o TAC impede que a empresa faça novos investimentos para modernizar a unidade. A fábrica de Itaperuna capta 300 mil litros de leite por dia e produz creme de leite, leite condensado, leite em pó e doces, abastecendo a região Sudeste do país. "Hoje o leite longa vida consumido no Sudeste vem do Rio Grande do Sul e queremos investir na unidade para produzir no Rio", disse Lopes.
Segundo ele, o investimento na unidade, para elevar a sua capacidade a 500 mil litros/dia, ficaria entre R$ 10 milhões a R$ 15 milhões. Uma nova fábrica custaria R$ 10 milhões a mais. A empresa, disse, já decidiu que vai investir no Rio de Janeiro, devido à facilidade logística para distribuir leite longa vida aos outros estados do Sudeste e que estuda como alternativas instalar a unidade em Campos ou Piraí. Uma nova unidade teria capacidade para captar 200 mil litros de leite por dia. "Mas peferíamos fazer em Itaperuna", reforçou.
O diretor-superintendente negou que haja interesse em fechar a fábrica, caso o TAC seja mantido. "Itaperuna vai continuar operando, mas vai minguar aos poucos porque será modernizada", disse. Durante esses dez dias, a empresa fará a manutenção em uma caldeira da fábrica. O leite captado para a unidade será desviado para outras unidades da Parmalat Brasil.
CIBELLE BOUÇAS