Petrobras garante aquisição de matéria-prima do biodiesel

20/03/2007

Petrobras garante aquisição de matéria-prima do biodiesel

A estatal vai assegurar a aquisição das fontes de matéria-prima produzidas pelas famílias de pequenos agricultores

Com previsão de produzir anualmente na Bahia até 57 mil metros cúbicos de biodiesel, a Petrobras quer apoiar as ações estaduais de estímulo ao cultivo de oleaginosas no semi-árido, via agricultura familiar.

A empresa assegura a aquisição da produção de mamona, amendoim, algodão, dendê e girassol, principais matérias-primas do óleo. Só para atender à demanda da companhia, pelo menos 25 mil famílias de pequenos produtores devem ser beneficiadas.

Os planos da Petrobras para o setor foram apresentados ontem ao governador Jaques Wagner pelo gerente executivo de Desenvolvimento Energético da empresa, Mozart de Queiroz, responsável pelo programa de biodiesel da companhia. Ele foi recebido por Wagner na Governadoria.

O projeto da Petrobras visa atender, a partir de 2008, ao mercado da própria empresa – no caso, a BR Distribuidora. Conforme previsto pelo Programa Brasileiro de Biodiesel, em 2008 passa a ser obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao óleo mineral.

Na Bahia, a unidade de biodiesel da Petrobras está sendo implantada em Candeias, com previsão de entrar em operação em dezembro. Outras duas unidades também estão sendo instaladas em Quixadá, no Ceará, e em Montes Claros, em Minas Gerais, beneficiando também o semi-árido naqueles estados. Só na unidade baiana, o investimento é de R$ 78 milhões.

"Além do aspecto da dinamização econômica do semi-árido, é um programa que tem também toda a importância social, por estarmos procurando desenvolver as ações por meio da agricultura familiar", ressaltou Queiroz. Na unidade, especificamente, serão apenas 35 empregos diretos.

 

Controle da ferrugem asiática

O governador festejou o fato de o programa de controle da praga na Bahia ser considerado um exemplo para todo o país. "Isso mostra a força da produção agropecuária do oeste baiano", declarou.

Ele disse que a sua presença na Passarela da Soja evidencia a sua disposição em se mostrar um parceiro dos produtores. "Estamos lado a lado, superando as dificuldades e trabalhando para aumentar ainda mais a produção e a geração de riqueza, emprego e renda. Hoje, ninguém produz em nenhum ramo de atividade sem acompanhar as inovações da tecnologia e da pesquisa. E é isso que está sendo feito aqui neste evento", afirmou.

 

Importância da cultura

Os produtores ressaltaram a importância da cultura da soja para a região. O chinês Ma Ming Kwore, que morava no Rio Grande do Sul e veio para a Bahia em 1988, quando iniciou o cultivo de 4 mil hectares do produto no estado, foi um deles. Formado em Engenharia Química na China, ele acredita que o treinamento oferecido no evento é fundamental para a melhoria da produção.

O também produtor Jéferson Vital trabalha com soja há dois anos, quando deixou a cidade de Chapadão do Sul, no Mato Grosso do Sul, para se dedicar à atividade. Desde então, ele participa do evento e a cada ano aprende inovações referentes ao plantio.

 

Antecipação das iniciativas

Wagner antecipou para Queiroz algumas ações do Estado na área que começarão a ser implantadas pela Secretaria da Agricultura (Seagri) nos próximos meses. "Percebemos que, até mesmo pela questão social, o governo estadual se mostra bastante empenhado em desenvolver ações de estímulo e apoio técnico aos pequenos produtores", disse Queiroz.

No caso da Petrobras, um convênio já está em estudo pela equipes técnicas estadual e federal, conforme adiantou Queiroz. "O governo estadual vai anunciar as medidas assim que todos os detalhes estiverem fechados", disse o executivo aos jornalistas, logo após a audiência com o governador.

 

Potencialidades naturais

A Bahia é um estado que tem despertado a atenção do setor do biodiesel pelas potencialidades naturais de produção de oleaginosas, antes mesmo do estímulo ao cultivo previsto pelo Programa Brasileiro de Biodiesel.

O estado é hoje o maior produtor do país de mamona (cerca de 150 mil toneladas/ano) e o segundo maior produtor de amendoim (8 mil toneladas/ano, ficando atrás apenas de São Paulo) e de dendê (24 mil toneladas/ano, perdendo apenas para o Pará).

"Só com a demanda do biodiesel da Petrobras a previsão é de que a produção de amendoim baiana triplique", afirmou Queiroz. Quanto ao dendê, a estimativa é de que o estado passe a produzir 8 mil toneladas a mais.