Bom para biodiesel

23/03/2007

Bom para biodiesel

Pesquisa da EBDA confirma potencial econômico do pinhão-manso no estado

O pinhão-manso está deixando de ser um ilustre desconhecido para os baianos. Mais que isto, desembarcou no estado como uma das melhores promessas para a agricultura familiar e para o programa de biodiesel, pelas características da cultura, muito resistente a estiagens e adaptável a diversos tipos de terreno. Chegou de mansinho no ano passado, pelas mãos da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e com o aval da Petrobras, que já constatou o potencial da planta como matéria-prima para produção de óleo biocombustível. Com um orçamento de R$500 mil para este ano, a pesquisa está analisando todas as etapas da nova cultura, da adaptação ao solo à adubação orgânica e mineral, poda, seleção de matrizes e consórcio com outras culturas de ciclo curto. 

O pinhão-manso está sendo monitorado em seis unidades de observação nos municípios de Irecê, Alagoinhas, Irará, Conceição do Almeida, Ribeira do Pombal e Amélia Rodrigues. Novas unidades estão previstas para Barreiras, Guanambi, Vitória da Conquista, Jacobina e Itaberaba. “Uma grande vantagem do pinhão-manso para a produção de biocombustível é o fato de não ser uma planta comestível, como a soja por exemplo”, diferencia o pesquisador Benedito Lemos de Carvalho, que está coordenando os estudos da EBDA sobre a nova cultura.
 

Ele explica que, assim, a produção direcionada para o programa não enfrenta a concorrência da indústria alimentícia, o que eleva o valor de mercado: “No ano passado o óleo de soja custava R$900 por tonelada. Quando foi iniciada a produção para o biodiesel o preço saltou para R$2 mil”.

O pinhão-manso é considerado perfeito para a agricultura familiar, um dos pilares do programa de biodiesel. Entre outras coisas pelo baixo custo, por não ser uma cultura mecanizada e por permitir o consórcio com outras lavouras de ciclo curto, como feijão, melancia, milho e abóbora, tanto para subsistência da família quanto para venda do excedente. Mesmo antes dos resultados das pesquisas, que levarão cerca de quatro anos – prazo em que a planta atinge sua produção máxima –, muitos empresários e pequenos agricultores já vêm apostando na novidade e plantando pi-nhão-manso na Bahia, de olho nos bons ventos do programa de biodiesel.

A expectativa de Benedito Carvalho é que em 2010 o estado já tenha uma área plantada significativa, em torno de dez mil hectares. Ainda este ano será iniciado um projeto de agricultura familiar numa área de mil hectares, envolvendo o Movimento dos Sem Terra (MST), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag) e a Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf).

“Pelo que foi observado até agora nos laboratórios da Petrobras quanto à avaliação química do produto, e pelas pesquisas agronômicas, trata-se de uma planta altamente promissora para a produção de biodiesel e de fácil manuseio para o agricultor familiar”, analisou o presidente da EBDA, Emerson Leal, anunciando a primeira colheita para julho. A planta vive até cem anos e por ser altamente resistente à estiagem adapta-se bem ao clima do semi-árido baiano, o que casa com o objetivo do programa estadual de biodiesel.